OSCARS 2009
Espero que o de Melhor Actriz vá para a Kate Winslet. É extraordinário se olha para esta inglesa de cara redonda e se vê uma mulher alemã de traços duros. É a diferença entre ser uma grande actriz e o querer sê-lo, suponho.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
22 de fevereiro de 2009
20 de fevereiro de 2009
CASAMENTOS GAY
O desesespero é total. Entalados entre o politicamente correcto e o não quererem fazer figuras de trogloditas, os opositores só gaguejam "que não é normal", que não
é discriminar ninguém, é só "não lhe dar os mesmos direitos que a maioria das pessoas".
Os manhosos ainda tentam a manobra do referendo, porque sabem que no escuro das cabinas de voto, pode-se ser tão preconceituoso quanto se queira, sem que ninguém saiba.
Enfim, estas batalhas do domínio do simbólico são sempre acaloradas. Mas no fim, tal como os pretos puderam ir à escola, as mulheres votar e os comunistas manifestarem-se nas ruas, calculo que os homossexuais portugueses vão finalmente poder dizer: "Casar, eu? F...sss!"
O desesespero é total. Entalados entre o politicamente correcto e o não quererem fazer figuras de trogloditas, os opositores só gaguejam "que não é normal", que não
é discriminar ninguém, é só "não lhe dar os mesmos direitos que a maioria das pessoas".
Os manhosos ainda tentam a manobra do referendo, porque sabem que no escuro das cabinas de voto, pode-se ser tão preconceituoso quanto se queira, sem que ninguém saiba.
Enfim, estas batalhas do domínio do simbólico são sempre acaloradas. Mas no fim, tal como os pretos puderam ir à escola, as mulheres votar e os comunistas manifestarem-se nas ruas, calculo que os homossexuais portugueses vão finalmente poder dizer: "Casar, eu? F...sss!"
GRIPE
Como não nos vendem (acho eu) antibióticos na farmácia, ainda por cima temos de estar com os olhos bem abertos na hora de pedir o analgésico/antipirético. A mesma substância pode custar 4 vezes mais, em função da marca. E se estivermos a tossir na hora da encomenda, ainda damos por nós a carregar um tubo de comprimidos de vitamina c que vai direitinho pela urina abaixo...
Raios partam os vírus, a única coisa que ainda se recebe de graça neste país!
Como não nos vendem (acho eu) antibióticos na farmácia, ainda por cima temos de estar com os olhos bem abertos na hora de pedir o analgésico/antipirético. A mesma substância pode custar 4 vezes mais, em função da marca. E se estivermos a tossir na hora da encomenda, ainda damos por nós a carregar um tubo de comprimidos de vitamina c que vai direitinho pela urina abaixo...
Raios partam os vírus, a única coisa que ainda se recebe de graça neste país!
18 de fevereiro de 2009
13 de fevereiro de 2009
12 de fevereiro de 2009
CORRENTES DE ESCRITA
Os encontros da Póvoa comemoram 10 anos. Uma década a convidar escritores e público local a encontrarem-se com eles e a participarem dos debates.
Um raro evento literário, verdadeiramente popular. Fazia falta que se criassem outros que conjugassem tão bem a simplicidade e a qualidade dos participantes.
Parabéns à organização.
Os encontros da Póvoa comemoram 10 anos. Uma década a convidar escritores e público local a encontrarem-se com eles e a participarem dos debates.
Um raro evento literário, verdadeiramente popular. Fazia falta que se criassem outros que conjugassem tão bem a simplicidade e a qualidade dos participantes.
Parabéns à organização.
9 de fevereiro de 2009

SOBRE FESTIVAIS DE CURTAS
Não é possível fazer um bom festival sem ver outros que de alguma forma toquem os mesmos géneros e que tenham uma boa dimensão. É o caso do festival de cinema de Clermont-Ferrand. Perdida no interior da França, geralmente com neve por esta altura, a cidade parece interessar pouco ou nada, aos franceses. E quem só ouve falar de Berlim ou Cannes, fica sempre surpreendido quando se refere que este é um dos maiores festivais de curta-metragem do mundo. Recebem mais de 6000 inscrições de filmes, têm um mercado que funcionam muito bem, com representações de diversos paíse e uma videoteca que permite ganhar tempo nos visionamentos e descobrir coisas que não encaixaram na programação. Os festivais portugueses que trabalham com curtas, estão, naturalmente todos presentes. E a maioria volta de lá com mais 200 possibilidades de escolha do que estava contar. Mais 200 filmes para discutir a hipótese de selecção. Uma trabalheira. Mas também se volta com mais conhecimento sobre a maneira de bem organizar um evento desta natureza, com novos contactos europeus e não só que abrem parcerias tão necessárias nestes tempos de recessão e por aí fora.
No meio disto tudo, quando sobra tempo, ainda se bebe um copo, prova-se a cozinha da região de Auvergne e convive-se com as gerações de portugueses que para ali partem desde os anos 60.
Os franceses podem continuar a ignorar Clermont, por mais uns tempos, enquanto isso, o progresso e a descoberta continuam a ser de quem lá vai.
29 de janeiro de 2009

PASSA DAS DUAS DA MANHÃ...
e o trabalha por hoje, que já é amanhã,termina. Antes de desligar tudo e ir dormir, olho para as coisas que escrevi aqui, para as opiniões expressas sobre este bocadinho de terra em que vivemos, a Justiça e as coisas que deveriam ser de uma maneira mais harmoniosa do que são. E, talvez por ser tarde, penso nos mares largos, na Antárctida, onde ainda não fui, nos bancos de gelo, brancos, nas águas azuis e mortais... Mas também no seu oposto, nas terras quentes que me falta conhecer, nas línguas desconhecidas que ainda não escutei, nas histórias que não poderia conceber por nascerem de culturas muito diferentes da minha. E percebo que a maior parte das coisas que nos ocupam são nada.
Descansa-me a ideia de que estas minhas preocupações são temporárias, com um mundo destes para ir apanhar.
28 de janeiro de 2009
AINDA AS CORPORAÇÕES
Era ver a cara de fuinhas contente (com a devida vénia e salamaleques subservientes, meritíssimo...) do juiz-chefe, por assim dizer, ao anunciar que não adiantava de nada que o país inteiro, psicólogos incluídos, estivesse contra a ideia de retirar a desgraçada da miúda-esmeralda a quem a amou e lutou por ela, durante anos. No fim, o primeiro juiz, que errou, acabou por ganhar. Este caso, tristíssimo, no que reflecte do corporativismo impune, em Portugal, mostra bem que quando se trata de luta de poder, de mostrar who's the boss, sacrifica-se o que for preciso.
Repugnante, apenas.
ps: na mesma cerimónia fantoche, foi curioso ver o sempre justiceiro chefe dos advogados, a zangar-se porque se violou a sacrossanta paz dos escritórios de advogados "com vista a obter provas contra os seus clientes". Ora, se os clientes são uns escroques e os advogados retêm provas disso, não só se deveriam fazer buscas, como engavetar os próprios advogados que as sonegam, com plena consciência, à justiça... Digo eu, que não fui colega de nenhum na Faculdade de Direito...
Era ver a cara de fuinhas contente (com a devida vénia e salamaleques subservientes, meritíssimo...) do juiz-chefe, por assim dizer, ao anunciar que não adiantava de nada que o país inteiro, psicólogos incluídos, estivesse contra a ideia de retirar a desgraçada da miúda-esmeralda a quem a amou e lutou por ela, durante anos. No fim, o primeiro juiz, que errou, acabou por ganhar. Este caso, tristíssimo, no que reflecte do corporativismo impune, em Portugal, mostra bem que quando se trata de luta de poder, de mostrar who's the boss, sacrifica-se o que for preciso.
Repugnante, apenas.
ps: na mesma cerimónia fantoche, foi curioso ver o sempre justiceiro chefe dos advogados, a zangar-se porque se violou a sacrossanta paz dos escritórios de advogados "com vista a obter provas contra os seus clientes". Ora, se os clientes são uns escroques e os advogados retêm provas disso, não só se deveriam fazer buscas, como engavetar os próprios advogados que as sonegam, com plena consciência, à justiça... Digo eu, que não fui colega de nenhum na Faculdade de Direito...
27 de janeiro de 2009
26 de janeiro de 2009
RECIBOS VERDES
São uma vergonha, desde a forma burocratizada como mês após mês se têm de preencher, quer no que representam de discriminatório, já que exigem, com ar severo, que sejamos todos muito cumpridores, num país em que as leis são usadas de forma despudorada por quem as cria, tem dinheiro para não se chatear a cumpri-las ou é espertalhão para descobrir o jeitinho para dar a volta. A Maria Z. enviou este e-mail, que transcrevo e o link para a petição. Não acredito que dê em nada, ou que haja pressa em resolver, uma vez que os nossos eleitos estão todos com licenças sem (e com) vencimento dos lugares donde (eventualmente) saíram, com contratos de aço e direito a indemnizações, mas enfim.Temos de acreditar nalguma coisa...
"Como sabem desde sempre que trabalho a recibos verdes. Não existe
trabalhador mais desprotegido que o trabalhador dito "independente" a
recibos verdes.
Não temos direito a férias, a estar doentes, licenças
maternidade/paternidade, etc... não recebemos subsídios de qualquer
ordem (baixa, desemprego, maternidade, etc.), não temos uma inspecção
geral do trabalho que nos informe ou apoie (é só para os trabalhadores
dependentes), recebemos ordens de todos e temos horários para cumprir
como todos.
Somos obrigados a pagar todos os meses a segurança social, mesmo que
fiquemos 5 meses sem receber um tostão. Somos obrigados, no final da
prestação do serviço, a entregar o recibo verde em como recebemos
(segundo a lei) mesmo que não tenhamos recebido - o único elemento de
prova que temos em nosso poder que nos serve de garantia de
recebimento ou não - irónico não é?! Se as empresas não nos quiserem
pagar (e existem muitas assim) para as finanças, quem está em falta
somos nós, os trabalhadores independentes que prestaram o serviço, não
receberam mas também não prestaram contas desse serviço (quer tenham
ou não recebido).
Por tudo isto, peço-vos, minhas amigas e meus amigos, familiares, a
recibos verdes ou não, assinem esta petição por todos nós e, quer
resulte ou não, pelo menos tentamos."
PETIÇÃO, AQUI
São uma vergonha, desde a forma burocratizada como mês após mês se têm de preencher, quer no que representam de discriminatório, já que exigem, com ar severo, que sejamos todos muito cumpridores, num país em que as leis são usadas de forma despudorada por quem as cria, tem dinheiro para não se chatear a cumpri-las ou é espertalhão para descobrir o jeitinho para dar a volta. A Maria Z. enviou este e-mail, que transcrevo e o link para a petição. Não acredito que dê em nada, ou que haja pressa em resolver, uma vez que os nossos eleitos estão todos com licenças sem (e com) vencimento dos lugares donde (eventualmente) saíram, com contratos de aço e direito a indemnizações, mas enfim.Temos de acreditar nalguma coisa...
"Como sabem desde sempre que trabalho a recibos verdes. Não existe
trabalhador mais desprotegido que o trabalhador dito "independente" a
recibos verdes.
Não temos direito a férias, a estar doentes, licenças
maternidade/paternidade, etc... não recebemos subsídios de qualquer
ordem (baixa, desemprego, maternidade, etc.), não temos uma inspecção
geral do trabalho que nos informe ou apoie (é só para os trabalhadores
dependentes), recebemos ordens de todos e temos horários para cumprir
como todos.
Somos obrigados a pagar todos os meses a segurança social, mesmo que
fiquemos 5 meses sem receber um tostão. Somos obrigados, no final da
prestação do serviço, a entregar o recibo verde em como recebemos
(segundo a lei) mesmo que não tenhamos recebido - o único elemento de
prova que temos em nosso poder que nos serve de garantia de
recebimento ou não - irónico não é?! Se as empresas não nos quiserem
pagar (e existem muitas assim) para as finanças, quem está em falta
somos nós, os trabalhadores independentes que prestaram o serviço, não
receberam mas também não prestaram contas desse serviço (quer tenham
ou não recebido).
Por tudo isto, peço-vos, minhas amigas e meus amigos, familiares, a
recibos verdes ou não, assinem esta petição por todos nós e, quer
resulte ou não, pelo menos tentamos."
PETIÇÃO, AQUI
25 de janeiro de 2009

WHO GIVES A SHIT ABOUT LITERATURE...? NINGUÉM!
Há uns anos atrás, um dos nossos poetas, deputado e tradutor, escrevia (creio que no JL) que os alunos portugueses deveriam seguir o exemplo dos seus colegas franceses e aprenderem, de cor, uma qualquer "Chanson de Roland". Que mais valia isso do que não conhecer nada. Na altura, indignei-me por escrito, etc, etc.
Hoje, ao ver que os alunos do 11º ano ainda são atormentados com o Frei Luis de Sousa, lembrei-me dele. 99,9% odeiam (passam a odiar) esta peça, e muito menos de metade perceberá sobre que diabo se debruçou, mil anos atrás, GarretT. Parece que já são poupados às Viagens Na Minha Terra, os sortudos.
Quando se olha as obras escolhidas para estes milhares de adolescentes, para os interessar pela Literatura, temos vontade de dar um tiro na cabeça, tal a confusão que a coisa nos gera. A pergunta que se coloca não tem a ver com o valor das referidas obras literárias (e mesmo isso, poderia ser questionado...), mas o interesse em chagar a cabeça a esta gente, misturando neste esforço inútil as palavas "Literatura" e "prazer". Aparentememnte, o povo do Ministério que aprova este continuado dislate, acha que basta aos estudantes "terem ouvido falar de Camões, Almeida Garrett ou Cesário Verde. Não interessa se eles querem ler mais alguma coisa destes e muito menos se o pouco gosto pela leitura fica comprometido para sempre.
Como sabem, não tenho pena nenhuma do esforço estudantil. Pelo contrário, acho que até é pouco. O que não acho é que deva ser inútil. Ao serviço de nada. Ou pior, utilizado para os levar a confundir "seca brutal" com "desenvolvimento pela leitura".
Como é que se pode pedir a este gente que aprenda a cozinhar pastelaria fina quando não se sabe estrelar um ovo, ou sequer que eles saem do cu das galinhas?
Não seria melhor trabalhar obras contemporâneas, com incursões nos clássicos, de maneira a criar primeiro a vontade de ler e depois a obrigação de se cultivar?
O mesmo princípio se aplica ao ensino da Filosofia. As boas intenções estão lá, o problema é a abordagem e as linguagens utilizadas. Um horror e um desperdício de tempo de professores, alunos e dinheiros públicos e privados.
24 de janeiro de 2009
SOBRE CARROS E CIDADES
Basicamente, eles comen-na. Todos os dias entram milhares, rosnam, largam gases e depois arrancam de volta aos subúrbios. Passamos os dias a falar mais alto do que gostaríamos, a não conceber a ideia de que o humano e o natural possa ser vivenciado nas ruas largas. E contudo, quando nos levantamos cedo, aos domingos de manhã, percebemos que talvez não tivesse de ser assim.
Quando o presidente da Cãmara de Lisboa, António Costa, subscreve a ideia de retirar os carros da Baixa, muitas vozes se levantam e levantarão contra. São as mesmas que ainda há pouco gritavam que se deveria fumar em TODOS os restaurantes, que acham que não enfardar picanha regularmente é "fanatismo" e que não percebem por que razão se deveria deixar o litoral respirar de casas. Preferem o wiskie à àgua e a luz eléctrica à das estrelas.
Desconfio que se sentirão solitários um dia, no meio das sedas interiores do seu caixão. E, contudo, a relva continuará a crescer sobre os seus corpos.
Basicamente, eles comen-na. Todos os dias entram milhares, rosnam, largam gases e depois arrancam de volta aos subúrbios. Passamos os dias a falar mais alto do que gostaríamos, a não conceber a ideia de que o humano e o natural possa ser vivenciado nas ruas largas. E contudo, quando nos levantamos cedo, aos domingos de manhã, percebemos que talvez não tivesse de ser assim.
Quando o presidente da Cãmara de Lisboa, António Costa, subscreve a ideia de retirar os carros da Baixa, muitas vozes se levantam e levantarão contra. São as mesmas que ainda há pouco gritavam que se deveria fumar em TODOS os restaurantes, que acham que não enfardar picanha regularmente é "fanatismo" e que não percebem por que razão se deveria deixar o litoral respirar de casas. Preferem o wiskie à àgua e a luz eléctrica à das estrelas.
Desconfio que se sentirão solitários um dia, no meio das sedas interiores do seu caixão. E, contudo, a relva continuará a crescer sobre os seus corpos.
14 de janeiro de 2009
TODOS OS DIAS SE ESCOLHE
o que fazer com a vida.
Uns lamentam-se da pouca sorte, das doenças, da cegueira dos outros.
Outros vivem embriagados, só respiração rápida, para intoxicar e não pensar.
Outros, com um pouco mais de esforço, dizem a si mesmos que isto não passa de um rio agitado e que temos por baixo uma barcaça frágil e escorregadia. Passam os dias a ser melhores marinheiros. Mesmo se nem sempre sabem muito bem para que servirá...
o que fazer com a vida.
Uns lamentam-se da pouca sorte, das doenças, da cegueira dos outros.
Outros vivem embriagados, só respiração rápida, para intoxicar e não pensar.
Outros, com um pouco mais de esforço, dizem a si mesmos que isto não passa de um rio agitado e que temos por baixo uma barcaça frágil e escorregadia. Passam os dias a ser melhores marinheiros. Mesmo se nem sempre sabem muito bem para que servirá...
|
10 de janeiro de 2009
A CORPORAÇÃO
Só os mais ingénuos poderão ficar surpreendidos: O Supremo Tribunal (o último, de quem vai a caminho do Céu e ligeiramente antes de se avistar o São Pedro) confirmou a decisão inicial no processo de tutela conhecido como "Caso Esmeralda". Para os mais esquecidos, relembro a reacção irritada da classe de magistrados quando a opinião pública questionou a decisão do tribunal de Torres Novas. Não fosse a teimosia dos pais adoptivos (ex...) e o barulho que os media criaram à volta e a coisa teria ficado ali mesma arrumada. Mas claro que a magistratura portuguesa não aguentaria a "afronta" feita pela maioria dos cidadãos portugueses e tudo faria para "repor a legalidade", como eles gostam de chamar aos seus gestos arbitrários, subjectivos e altamente pessoais, escudados na lei impressa. Aproveitaram as férias do Natal (obrigatórias) da criança em casa do pai biológico para aplicarem o que lhes parecia bem, desde o princípio.
O que interessa se isto fará infelizes 3 pessoas? Nada. Ingénuos os que não percebem que se trata de uma questão de Poder. Os juizes portugueses beneficiam de um estatuto de impunidade que os coloca acima de governos, parlamentos e até dos seus concidadãos. Mas sobretudo, estão para lá da Justiça. E nenhum deles, ou muito poucos, estarão dispostos a abdicar deste privilégio.
O Supremo Tribunal é formado por pessoas eleitas pelos principais partidos. O número e os nomes são negociados. Há casos de leis que passaram no Parlamento, em troca de mais um lugar para este ou para aquele partido. Há um simulacro de democracia nisto.
Este país não é mau de todo. A única chatice é que quando se trata de "fazer justiça", é bom que não se seja pobre ou não se desafie a classe judicial.
Caso contrário, bem podem chorar que o "Estado de Direito" continuará a prevalecer segundo os critérios de alguns.
Lamentável!
ps: uma boa forma de testar este amor paternal seria acrescentar à sentença, a devolução dos 30.000 euros que o pai extremoso embolsou (excluídos os honorários da advogada...). Seria curioso ver onde iria parar tanta determinação.
ps2 (escrito dias mais tarde):
Leio no Mirante que um grupo de assaltantes escapa a uma condenação mais séria, por não ter sido produzida prova suficiente. As suas caras e actos foram claramente identificados junto de dois locais distintos, através de câmaras de segurança, Acontece que o dono de um dos estabelecimentos não tinha "solicitado autorização à Comissão de Protecção de dados para o uso da videovigilância. E a outra tentativa de assalto, com montra partida e tudo, estava colocada na rua, logo não pode ser usada.
Ou seja: ficou provado, mas não ficou provado, porque a prova não levava o impresso B284/123...
Este remate, embora não assente nas razões corporativistas apontadas em cima, ainda assim prova que em Portugal o papel vale mais do que a evidência.
Só os mais ingénuos poderão ficar surpreendidos: O Supremo Tribunal (o último, de quem vai a caminho do Céu e ligeiramente antes de se avistar o São Pedro) confirmou a decisão inicial no processo de tutela conhecido como "Caso Esmeralda". Para os mais esquecidos, relembro a reacção irritada da classe de magistrados quando a opinião pública questionou a decisão do tribunal de Torres Novas. Não fosse a teimosia dos pais adoptivos (ex...) e o barulho que os media criaram à volta e a coisa teria ficado ali mesma arrumada. Mas claro que a magistratura portuguesa não aguentaria a "afronta" feita pela maioria dos cidadãos portugueses e tudo faria para "repor a legalidade", como eles gostam de chamar aos seus gestos arbitrários, subjectivos e altamente pessoais, escudados na lei impressa. Aproveitaram as férias do Natal (obrigatórias) da criança em casa do pai biológico para aplicarem o que lhes parecia bem, desde o princípio.
O que interessa se isto fará infelizes 3 pessoas? Nada. Ingénuos os que não percebem que se trata de uma questão de Poder. Os juizes portugueses beneficiam de um estatuto de impunidade que os coloca acima de governos, parlamentos e até dos seus concidadãos. Mas sobretudo, estão para lá da Justiça. E nenhum deles, ou muito poucos, estarão dispostos a abdicar deste privilégio.
O Supremo Tribunal é formado por pessoas eleitas pelos principais partidos. O número e os nomes são negociados. Há casos de leis que passaram no Parlamento, em troca de mais um lugar para este ou para aquele partido. Há um simulacro de democracia nisto.
Este país não é mau de todo. A única chatice é que quando se trata de "fazer justiça", é bom que não se seja pobre ou não se desafie a classe judicial.
Caso contrário, bem podem chorar que o "Estado de Direito" continuará a prevalecer segundo os critérios de alguns.
Lamentável!
ps: uma boa forma de testar este amor paternal seria acrescentar à sentença, a devolução dos 30.000 euros que o pai extremoso embolsou (excluídos os honorários da advogada...). Seria curioso ver onde iria parar tanta determinação.
ps2 (escrito dias mais tarde):
Leio no Mirante que um grupo de assaltantes escapa a uma condenação mais séria, por não ter sido produzida prova suficiente. As suas caras e actos foram claramente identificados junto de dois locais distintos, através de câmaras de segurança, Acontece que o dono de um dos estabelecimentos não tinha "solicitado autorização à Comissão de Protecção de dados para o uso da videovigilância. E a outra tentativa de assalto, com montra partida e tudo, estava colocada na rua, logo não pode ser usada.
Ou seja: ficou provado, mas não ficou provado, porque a prova não levava o impresso B284/123...
Este remate, embora não assente nas razões corporativistas apontadas em cima, ainda assim prova que em Portugal o papel vale mais do que a evidência.
5 de janeiro de 2009
REVISTA "LER"
Por razões que não vêm ao caso, comprei o último número da revista de livros "Ler".
Para que conste, não sou grande admirador deste género de revistas. Nos casos internacionais são, frequentemente chatas, à falta de melhor palavra para definir um conjunto de artigos que não me apetece ler... As tentativas portuguesas ou acrescentam desinteresse ou são inócuas, promovendo light como se fosse paté.
A LER foi uma bela surpresa.
Do grafismo sóbrio à forma sólida como trata os temas for um conjunto de descobertas.
Claro que está muito bem servida de comentadores e críticos (whatever that means por cá...).
Abençoados 5 euros (que me farão gastar ainda mais em livros, helàs!)
Por razões que não vêm ao caso, comprei o último número da revista de livros "Ler".
Para que conste, não sou grande admirador deste género de revistas. Nos casos internacionais são, frequentemente chatas, à falta de melhor palavra para definir um conjunto de artigos que não me apetece ler... As tentativas portuguesas ou acrescentam desinteresse ou são inócuas, promovendo light como se fosse paté.
A LER foi uma bela surpresa.
Do grafismo sóbrio à forma sólida como trata os temas for um conjunto de descobertas.
Claro que está muito bem servida de comentadores e críticos (whatever that means por cá...).
Abençoados 5 euros (que me farão gastar ainda mais em livros, helàs!)
4 de janeiro de 2009
O mElhor da Música TUGA
:) E para arrancar o ano, a música desta jovem promessa da música portuguesa. Desde pequeno "que se punha em frente ao espelho", diz ele, acrescentando que o seu "sonho se está a tornar realidade. Tocante.
Embora este vídeo seja interpretado por admiradores, há uma entrevista com o original aqui
Para quê estudar Música quando o sucesso está ao alcance de qualquer microfone.
Força, companheiro!
:) E para arrancar o ano, a música desta jovem promessa da música portuguesa. Desde pequeno "que se punha em frente ao espelho", diz ele, acrescentando que o seu "sonho se está a tornar realidade. Tocante.
Embora este vídeo seja interpretado por admiradores, há uma entrevista com o original aqui
Para quê estudar Música quando o sucesso está ao alcance de qualquer microfone.
Força, companheiro!
30 de dezembro de 2008
2008... está no ir... AGARREM-SE QUE VEM AÍ 2009
(o final da frase vem de um cartoon do António Jorge Gonçalves)
Em termos pessoais, 2008 não foi dos piores. Melhorou até bastante face aos dois anos anteriores. Tenho casa, comida, trabalho e um romance a caminho. Que mais poderia desejar? Férias em Zanzibar? Bom... Isso, sim. Mas tem sempre de se deixar lugar para os projectos difíceis.
Como espero estar longe da net até ao final do ano (2 ou 3 dias), aproveito para desejar a todos um ano bom. Isso mesmo, 12 meses em que o destino sirva para nos melhorar a todos. Mesmo que isso às vezes vá pelo lado mais trabalhoso :)
Aos (raros) inimigos, desejo o melhor. Sobretudo que utilizem a energia que desperdiçam comigo nalguma coisa que lhes dê alegria e os ajude a crescer como pessoas. Isto dura tão pouco que todo o tempo não chega para nos focarmos no amor. Quanto mais nos ódios de estimação...
Boa passagem de ano.
Vem-nos daqui a...,olha: para o ano.
(o final da frase vem de um cartoon do António Jorge Gonçalves)
Em termos pessoais, 2008 não foi dos piores. Melhorou até bastante face aos dois anos anteriores. Tenho casa, comida, trabalho e um romance a caminho. Que mais poderia desejar? Férias em Zanzibar? Bom... Isso, sim. Mas tem sempre de se deixar lugar para os projectos difíceis.
Como espero estar longe da net até ao final do ano (2 ou 3 dias), aproveito para desejar a todos um ano bom. Isso mesmo, 12 meses em que o destino sirva para nos melhorar a todos. Mesmo que isso às vezes vá pelo lado mais trabalhoso :)
Aos (raros) inimigos, desejo o melhor. Sobretudo que utilizem a energia que desperdiçam comigo nalguma coisa que lhes dê alegria e os ajude a crescer como pessoas. Isto dura tão pouco que todo o tempo não chega para nos focarmos no amor. Quanto mais nos ódios de estimação...
Boa passagem de ano.
Vem-nos daqui a...,olha: para o ano.
28 de dezembro de 2008
24 de dezembro de 2008
VALHA-NOS O ALTÍSSIMO!
Foi necessário que Entidade Reguladora para a Comunicação Social rejeitasse a queixa de 122 (cento e vinte e duas, sim) pessoas ou entidades contra um sketche dos Gato Fedorento. Limitaram-se a explicar a estas pessoas que o humor tem, às vezes, um lado um nadinha subversivo. E que tinham de ter paciência com as pessoas que não pensavam ir arder no Inferno sempre que ofendessem a Santa Casa.
Faltou-lhes lembrar que já não se queima por cá ninguém há uns anos, por questões religiosas. Minar-lhes as acções que tiverem no Millenium, ainda vá lá... Mas relaxa-los ao braço secular já não se pode.
Para quem não viu a (inocente) rábula, aqui fica:
Foi necessário que Entidade Reguladora para a Comunicação Social rejeitasse a queixa de 122 (cento e vinte e duas, sim) pessoas ou entidades contra um sketche dos Gato Fedorento. Limitaram-se a explicar a estas pessoas que o humor tem, às vezes, um lado um nadinha subversivo. E que tinham de ter paciência com as pessoas que não pensavam ir arder no Inferno sempre que ofendessem a Santa Casa.
Faltou-lhes lembrar que já não se queima por cá ninguém há uns anos, por questões religiosas. Minar-lhes as acções que tiverem no Millenium, ainda vá lá... Mas relaxa-los ao braço secular já não se pode.
Para quem não viu a (inocente) rábula, aqui fica:
22 de dezembro de 2008
FELIZ NAVIDAD!
A todos os amigos. Aos que vejo regularmente, aos que se encontram longe. E até aos que por razões mais ou menos justificadas se desligaram desse compromisso. E aos que já partiram.
Não é só hoje que penso em todos vocês, mas todas as ocasiões são boas para o dizer de novo.
ps: e para os mais próximos que vão do Sul de Silves a Paris, nesta época.
A todos os amigos. Aos que vejo regularmente, aos que se encontram longe. E até aos que por razões mais ou menos justificadas se desligaram desse compromisso. E aos que já partiram.
Não é só hoje que penso em todos vocês, mas todas as ocasiões são boas para o dizer de novo.
ps: e para os mais próximos que vão do Sul de Silves a Paris, nesta época.
21 de dezembro de 2008
17 de dezembro de 2008

CATAGUASES SUBMERSA
O meu amigo Ronaldo Cagiano, mineiro convicto (o que é uma redundância, mas ainda assim o assinalo), envia-me fotos da sua terra, provisoriamente amantizada com Iemanjá. Como os meus leitores saberão, esta cidade do estado de Minas Gerais é a verdadeira capital do Brasil. A grande prova é o número de escritores que tem produzido ao longo dos anos e que se espalham pelo país e pelo mundo fora.
Numa saudação, a seco, aqui fica um abraço e a foto.
16 de dezembro de 2008
A TECLA
carrega-se sempre na mesma, que remédio: há uma justiça para ricos e outra para pobres.
Desgraçado de quem cometer um crime e não tiver bons advogados que distorçam a lei a seu favor. Se houver, tudo se perdoa. Amarra-se o juiz à forma e faz-se cara de pau.
Desgraçado de quem confessa e é pobre. Depois da porrada que a Judiciária não hesitará em lhe dar, vai em prisão preventiva, recebe o "severo rigor da lei" pela boca de um magistrado que finge acreditar no que diz, antes de ser atirado para o meio da selva, entre portas blindadas, onde mais porrada, violações de toda a espécie e necessidade de sobrevivência o ensinarão a prevaricar melhor no futuro.
Os bancos a mesma coisa. Para algum lado teriam de ir as comissões exorbitantes que nos cobram por reterem e usarem o nosso dinheiro. No caso do BCP, afinal, ainda sobrava muito do que se envia para o Vaticano e para financiar as actividades da Opus Dei. Não sabíamos era ser assim tanto.
Ao contrário do que afirmou hoje Mário Soares, não aumentaram significativamente as diferenças sociais nos últimos tempos. O que a crise trouxe foi a revelação dessas diferenças. Enquanto os pobres andavam enganados a endividar-se com cartões de crédito não olhavam para os que passavam no céu, de jacto privado. Agora olham. E cai o Carmo e a Trindade. Mas eles já andavam por cá...
carrega-se sempre na mesma, que remédio: há uma justiça para ricos e outra para pobres.
Desgraçado de quem cometer um crime e não tiver bons advogados que distorçam a lei a seu favor. Se houver, tudo se perdoa. Amarra-se o juiz à forma e faz-se cara de pau.
Desgraçado de quem confessa e é pobre. Depois da porrada que a Judiciária não hesitará em lhe dar, vai em prisão preventiva, recebe o "severo rigor da lei" pela boca de um magistrado que finge acreditar no que diz, antes de ser atirado para o meio da selva, entre portas blindadas, onde mais porrada, violações de toda a espécie e necessidade de sobrevivência o ensinarão a prevaricar melhor no futuro.
Os bancos a mesma coisa. Para algum lado teriam de ir as comissões exorbitantes que nos cobram por reterem e usarem o nosso dinheiro. No caso do BCP, afinal, ainda sobrava muito do que se envia para o Vaticano e para financiar as actividades da Opus Dei. Não sabíamos era ser assim tanto.
Ao contrário do que afirmou hoje Mário Soares, não aumentaram significativamente as diferenças sociais nos últimos tempos. O que a crise trouxe foi a revelação dessas diferenças. Enquanto os pobres andavam enganados a endividar-se com cartões de crédito não olhavam para os que passavam no céu, de jacto privado. Agora olham. E cai o Carmo e a Trindade. Mas eles já andavam por cá...
8 de dezembro de 2008
NÃO ÉS BOA MÃE PORQUE NÃO ME QUERES COMPRAR NADA!
gritava hoje uma miúda de 5 anos no supermercado. Depois pontapeou a irmã mais velha e voltou a gritar. Quando cheguei à caixa, estava no final do número: a mãe recusava-se a pagar-lhe mais uma barbie, por isso tentava o truque do choro. Como não resultou em nada mais do que incomodar toda a gente e a mãe se afastou, só restou ao segurança tentar fazer-lhe devolver a boneca. A tomada de decisão nas mãos do segurança do supermercado, porque não se podia forçar a menina...
Devo estar a ficar velho, porque consigo imaginar esta mãe e esta criança, daqui a alguns anos e não acho graça nenhuma ao incidente. Só não tenho pena da progenitora porque acho que a sua desresponsabilização merece o que lhe vai suceder.
Mas tenho pena de nós, o país nas mãos destes ditadorezinhos de fraldas, que vão votar e exigir do Estado que se comporte como a mãe.
gritava hoje uma miúda de 5 anos no supermercado. Depois pontapeou a irmã mais velha e voltou a gritar. Quando cheguei à caixa, estava no final do número: a mãe recusava-se a pagar-lhe mais uma barbie, por isso tentava o truque do choro. Como não resultou em nada mais do que incomodar toda a gente e a mãe se afastou, só restou ao segurança tentar fazer-lhe devolver a boneca. A tomada de decisão nas mãos do segurança do supermercado, porque não se podia forçar a menina...
Devo estar a ficar velho, porque consigo imaginar esta mãe e esta criança, daqui a alguns anos e não acho graça nenhuma ao incidente. Só não tenho pena da progenitora porque acho que a sua desresponsabilização merece o que lhe vai suceder.
Mas tenho pena de nós, o país nas mãos destes ditadorezinhos de fraldas, que vão votar e exigir do Estado que se comporte como a mãe.
7 de dezembro de 2008
A CAMIONETA
Passei a infância a ver passar a camioneta para Amareleja. Vinha por volta das 5h da tarde. Não sabia grande coisa dela. Apenas que passava pela Vendinha e não sei se por qualquer outra aldeia deste Alentejo a descer para Reguengos. Nunca lá fui, nem faço ideia de como seria nesses anos. E a camioneta, apanhei-a uma vez, para visitar parentes próximos, na terra anteriormente referida. Pensei sempre que haveria de ficar num lugar cheio de girassóis. Por causa do amarelo em Amareleja. Era uma coisa solar, na minha imaginação. Hoje, ao ver este vídeo, pensei nisso. Tenha a aldeia sido o que tiver sido, hoje está definitivamente virada para o sol. No melhor sentido do termo.
Passei a infância a ver passar a camioneta para Amareleja. Vinha por volta das 5h da tarde. Não sabia grande coisa dela. Apenas que passava pela Vendinha e não sei se por qualquer outra aldeia deste Alentejo a descer para Reguengos. Nunca lá fui, nem faço ideia de como seria nesses anos. E a camioneta, apanhei-a uma vez, para visitar parentes próximos, na terra anteriormente referida. Pensei sempre que haveria de ficar num lugar cheio de girassóis. Por causa do amarelo em Amareleja. Era uma coisa solar, na minha imaginação. Hoje, ao ver este vídeo, pensei nisso. Tenha a aldeia sido o que tiver sido, hoje está definitivamente virada para o sol. No melhor sentido do termo.
4 de dezembro de 2008

UFA! ESTAVA A FICAR PREOCUPADO...
...com os salários dos administradores dos bancos. Numa época de tanta ralação, com toda a gente a descobrir que as fortunas da banca assentam (além da exorbitância dos juros e comissões)em falcatruas de toda a ordem, estes senhores (não há "senhoras" no processo, já que isto de dinheiro exige uma confiança que as mulheres, enfim... Já se sabe...Nem fica bem desenvolver... A mulher, o cavalo e o selim... O fado, etc...) precisam de algum conforto. Saber que em média, quer em bancos públicos, quer privados, um administrador recebe 70.000 euros por mês, já tranquiliza. Bastava ver a sala de entrada (na televisão, claro) do BPP para ter uma noção que estamos a lidar com gente muito acima dos portugueses. 70.000 euros enquanto trabalham e alguns milhões de indemnização quando são despedidos, é um mínimo!
Afinal, agora que tanta gente já vai receber 450 euros brutos... há que manter as distâncias.
ps: entendo agora melhor, a razão porque um ex-bancário, agora poeta muito apreciado pela imprensa cor-de-rosa, se surpreendia com desdém à hipótese de ter de viajar com uma companhia aérea. Não concebia outra coisa que ir em jacto privado. Claro. Agora faz sentido.
1 de dezembro de 2008
A DAMA DO VELHO CHICO
É o nome do livro do escritor Carlos Barbosa, meu amigo de Salvador. Não é fácil ser-se escritor no Brasil. A concorrência de talentos é medonha, tantos eles são. E o desinteresse pela Literatura é grande. Daí que a notícia de que o livro do escritor baiano fará parte do equivalente ao nosso Plano Nacional de Leitura, isto é, será comprado aos milhares e distribuído pelas bibliotecas escolares de todo o Brasil, é uma bela notícia. Deixo em baixo, um excerto que faz parecer Carlos da Maia, uma criança de colo, ao pensar em Maria Eduarda, n'Os Maias.
"O corpo fresco de Daura grudava-se no de Missinho por força do declive natural provocado pela concavidade da rede. Missinho mirava as telhas, qualquer coisa ao alcance dos olhos e tentava não sentir o cheiro próprio do corpo da irmã lavado a sabão de coco, e o calor que aumentava a cada segundo na concha que se juntaram.(...) Procurou não se mexer. Pouco adiantava, pois Daura mexia-se de vez em quando e o braço de Missinho roçava novas regiões, acomodava-se em Platôs, escorregava por ribanceiras profundas..." (edição Bom Texto)
É o nome do livro do escritor Carlos Barbosa, meu amigo de Salvador. Não é fácil ser-se escritor no Brasil. A concorrência de talentos é medonha, tantos eles são. E o desinteresse pela Literatura é grande. Daí que a notícia de que o livro do escritor baiano fará parte do equivalente ao nosso Plano Nacional de Leitura, isto é, será comprado aos milhares e distribuído pelas bibliotecas escolares de todo o Brasil, é uma bela notícia. Deixo em baixo, um excerto que faz parecer Carlos da Maia, uma criança de colo, ao pensar em Maria Eduarda, n'Os Maias.
"O corpo fresco de Daura grudava-se no de Missinho por força do declive natural provocado pela concavidade da rede. Missinho mirava as telhas, qualquer coisa ao alcance dos olhos e tentava não sentir o cheiro próprio do corpo da irmã lavado a sabão de coco, e o calor que aumentava a cada segundo na concha que se juntaram.(...) Procurou não se mexer. Pouco adiantava, pois Daura mexia-se de vez em quando e o braço de Missinho roçava novas regiões, acomodava-se em Platôs, escorregava por ribanceiras profundas..." (edição Bom Texto)
28 de novembro de 2008
A NORTE
Como se sabe, sou um homem do Sul. Na mania do sol, das coisas brancas, da areia nos pés.
Mas, sempre que vou ao Norte do país, deixo-me sempre surpreender pela hospitalidade nortenha. Embora, os centros comerciais estejam a ofuscar progressivamente a paisagem e a forma de lidar entre as pessoas, tal como aconteceu mais abaixo, ainda assim, quer numa pastelaria (enquanto se pede "meia-de-cimbalino" e nos perguntam se queremos o"pãozinho com queijo aquecido") quer quando, espontaneamente, as pessoas oferecem ajuda para as mais diferentes coisas, o Norte, ainda dá cartas. Esperemos que esta generosidade, que deveria ser a sua matriz, permaneça ainda por muito tempo.
Quando subimos no Alfa, ficamos como o coração mais "quêntinho".
Como se sabe, sou um homem do Sul. Na mania do sol, das coisas brancas, da areia nos pés.
Mas, sempre que vou ao Norte do país, deixo-me sempre surpreender pela hospitalidade nortenha. Embora, os centros comerciais estejam a ofuscar progressivamente a paisagem e a forma de lidar entre as pessoas, tal como aconteceu mais abaixo, ainda assim, quer numa pastelaria (enquanto se pede "meia-de-cimbalino" e nos perguntam se queremos o"pãozinho com queijo aquecido") quer quando, espontaneamente, as pessoas oferecem ajuda para as mais diferentes coisas, o Norte, ainda dá cartas. Esperemos que esta generosidade, que deveria ser a sua matriz, permaneça ainda por muito tempo.
Quando subimos no Alfa, ficamos como o coração mais "quêntinho".
26 de novembro de 2008
A REVISTA DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS
É um clássico. Recebi hoje, 26 de Novembro, o novo número.
Fiquei a saber que o Doc Lisboa vai acontecer... no mês passado, quase ao mesmo tempo de um concerto do José Mário Branco. E, numa sociedade dominada pelas aspirações-caprichos dos filhos, vem um artigo severo sobre "pais que se gerem por valores antigos, de um mundo que já mudou". Muito bom.
A cereja sobre o bolo vem logo na capa, que vem com fundo branco e um desenho ingénuo: "Pinta a tua capa", pedem, entusiásticos. Pena que esta seja impressa em papel plastificado. Há-de ser lindo, se alguma criancinha lhe meter os lápis de cor ou as canetas de feltro em cima.
Calculo que estas pessoas recebam um ordenado para fazer esta revista. O que me parece excessivo.
ps: ou então foram alunos do Vítor Constâncio, no Banco de Portugal: "está tudo em ordem, fizemos um excelente trabalho. E se a realidade insiste em nos desmentir... Olhe, é porque não foi sincera connosco!"
É um clássico. Recebi hoje, 26 de Novembro, o novo número.
Fiquei a saber que o Doc Lisboa vai acontecer... no mês passado, quase ao mesmo tempo de um concerto do José Mário Branco. E, numa sociedade dominada pelas aspirações-caprichos dos filhos, vem um artigo severo sobre "pais que se gerem por valores antigos, de um mundo que já mudou". Muito bom.
A cereja sobre o bolo vem logo na capa, que vem com fundo branco e um desenho ingénuo: "Pinta a tua capa", pedem, entusiásticos. Pena que esta seja impressa em papel plastificado. Há-de ser lindo, se alguma criancinha lhe meter os lápis de cor ou as canetas de feltro em cima.
Calculo que estas pessoas recebam um ordenado para fazer esta revista. O que me parece excessivo.
ps: ou então foram alunos do Vítor Constâncio, no Banco de Portugal: "está tudo em ordem, fizemos um excelente trabalho. E se a realidade insiste em nos desmentir... Olhe, é porque não foi sincera connosco!"
24 de novembro de 2008
21 de novembro de 2008
MEMORIAS DO TEMPO LARANJA
Os mais novos têm sorte: não se lembram do "cavaquismo". Não tanto pelo Cavaco, coitado, chegado de Boliqueime com a sua Maria-Poeta e que fez, genuinamente, o que achava ser melhor para o país. Falo das escolhas erradas nos seus governos: Santana Lopes para as decisões de Cultura (na falta de uma Secretaria Geral da Superficialidade, penso eu...) e, entre outros, este senhor, agora acusado de trafulhices bancárias, para a Secretaria dos Assuntos Fiscais. Quase que dá vontade de rir, sabendo que naquele tempo, os professores universitários defendiam que "não havia evasão fiscal, apenas itens bem ou mal contabilizados". Foi uma época horrível, sob vários pontos de vista. Eu não assisti ao fim dessa era, porque emigrei. Mas não me esqueço da cupidez laranja a alastrar por ministérios, bancas, autarquias, empresas de construção civil... Tudo isto misturado numa orgia de dinheiro, impunidade e despudor. Agora, à medida que o tempo passa, os podres começam a vir ao de cima. É sempre assim, com o lodo.
Mas não nos preocupemos, porque com uma magistratura que faz da forma da letra de lei, o seu deus, sacrificando nela a antiga ideia de justiça, nada acontecerá de extraordinário a este e a outros senhores ex-larápios autorizados (alegadamente, claro). Com dinheiro para pagar os melhores advogados e investigadores, calçadíssimos dentro de um partido importante, só por muito azar chegarão a uma condenação. E nunca, nunca, a pena de prisão efectiva. Essas só apanham os que já rastejam na escala social e que não foram suficientemente espertos para subir para onde a maré não os apanhasse.
Os mais novos têm sorte: não se lembram do "cavaquismo". Não tanto pelo Cavaco, coitado, chegado de Boliqueime com a sua Maria-Poeta e que fez, genuinamente, o que achava ser melhor para o país. Falo das escolhas erradas nos seus governos: Santana Lopes para as decisões de Cultura (na falta de uma Secretaria Geral da Superficialidade, penso eu...) e, entre outros, este senhor, agora acusado de trafulhices bancárias, para a Secretaria dos Assuntos Fiscais. Quase que dá vontade de rir, sabendo que naquele tempo, os professores universitários defendiam que "não havia evasão fiscal, apenas itens bem ou mal contabilizados". Foi uma época horrível, sob vários pontos de vista. Eu não assisti ao fim dessa era, porque emigrei. Mas não me esqueço da cupidez laranja a alastrar por ministérios, bancas, autarquias, empresas de construção civil... Tudo isto misturado numa orgia de dinheiro, impunidade e despudor. Agora, à medida que o tempo passa, os podres começam a vir ao de cima. É sempre assim, com o lodo.
Mas não nos preocupemos, porque com uma magistratura que faz da forma da letra de lei, o seu deus, sacrificando nela a antiga ideia de justiça, nada acontecerá de extraordinário a este e a outros senhores ex-larápios autorizados (alegadamente, claro). Com dinheiro para pagar os melhores advogados e investigadores, calçadíssimos dentro de um partido importante, só por muito azar chegarão a uma condenação. E nunca, nunca, a pena de prisão efectiva. Essas só apanham os que já rastejam na escala social e que não foram suficientemente espertos para subir para onde a maré não os apanhasse.
20 de novembro de 2008
ESCOLAS
Por razões profissionais estou em processo de visita e desenvolvimento de projecto com as 15 escolas do fundo da tabela nos rankings.
É preciso ir a estes sítios, rodeados de blocos de habitação social ou barracas e perceber que não poderia ser de outra maneira. Como é que se pode pedir a um miúdo que seja razoável a Matemática ou que debite Camões quando ele sabe a todo o momento que terá de olhar por cima do ombro à saída. Ou quando tem a certeza de chegar a uma casa vazia, ou habitada por pais a viver do Rendimento Mínimo e sem vontade de sair dele? Quando roubar, agredir e traficar são palavras que entram nas canções infantis?
Indíos, sim. Mas como ser menino de coro no meio da guerra?
Por razões profissionais estou em processo de visita e desenvolvimento de projecto com as 15 escolas do fundo da tabela nos rankings.
É preciso ir a estes sítios, rodeados de blocos de habitação social ou barracas e perceber que não poderia ser de outra maneira. Como é que se pode pedir a um miúdo que seja razoável a Matemática ou que debite Camões quando ele sabe a todo o momento que terá de olhar por cima do ombro à saída. Ou quando tem a certeza de chegar a uma casa vazia, ou habitada por pais a viver do Rendimento Mínimo e sem vontade de sair dele? Quando roubar, agredir e traficar são palavras que entram nas canções infantis?
Indíos, sim. Mas como ser menino de coro no meio da guerra?
18 de novembro de 2008
PEÇO DESCULPA MAS CHEIRA-ME A ESTURRO.
Não quero ser insistente, mas o debate de ontem na RTP sobre o alargamento do Porto de Lisboa estava à cunha. De homens de fato e gravata. O que é sempre mau sinal. Pela conversa feita, percebeu-se que muito pouca coisa foi estudada e que se está a tentar pressionar uma decisão.
Hoje, quando (ver o post em baixo) vou finalmente meter os jornais no lixo, com toda a publicidade à mistura, deparo-me com uma brochura de luxo, sobre o assunto. Papel couché para explicar por que razão terão de ser desembolsados milhões de euros dos contribuintes (de todo o país) para uma obra que só beneficiará uma empresa. Mais a esturro me cheirou.
Quando vou ver a empresa, descubro (toda a gente já deve saber isto, menos eu...) que pertence ao grupo Mota-Engil, que tem um dirigente socialista (leia-se, do partido que está no governo e que amanhã pode não estar, melhor, melhor, será apressar as coisas)a dirigi-lo. Certamente, uma coincidência.
Eu sei que as fortunas pessoais ligadas aos ganhos com o erário público têm de se fazer. Sempre assim foi, sempre assim será. Cimenteiras em parques naturais, contentores a tapar o rio e por aí fora... Mas se pudessem ser um bocadinho mais discretos, agradecia-se. Talvez aprendendo com os bancos, que nos roubam de toda a maneira e feitio, sem esperança de regulação.
Não quero ser insistente, mas o debate de ontem na RTP sobre o alargamento do Porto de Lisboa estava à cunha. De homens de fato e gravata. O que é sempre mau sinal. Pela conversa feita, percebeu-se que muito pouca coisa foi estudada e que se está a tentar pressionar uma decisão.
Hoje, quando (ver o post em baixo) vou finalmente meter os jornais no lixo, com toda a publicidade à mistura, deparo-me com uma brochura de luxo, sobre o assunto. Papel couché para explicar por que razão terão de ser desembolsados milhões de euros dos contribuintes (de todo o país) para uma obra que só beneficiará uma empresa. Mais a esturro me cheirou.
Quando vou ver a empresa, descubro (toda a gente já deve saber isto, menos eu...) que pertence ao grupo Mota-Engil, que tem um dirigente socialista (leia-se, do partido que está no governo e que amanhã pode não estar, melhor, melhor, será apressar as coisas)a dirigi-lo. Certamente, uma coincidência.
Eu sei que as fortunas pessoais ligadas aos ganhos com o erário público têm de se fazer. Sempre assim foi, sempre assim será. Cimenteiras em parques naturais, contentores a tapar o rio e por aí fora... Mas se pudessem ser um bocadinho mais discretos, agradecia-se. Talvez aprendendo com os bancos, que nos roubam de toda a maneira e feitio, sem esperança de regulação.
17 de novembro de 2008
DOS JORNAIS
À 2a feira aumenta-se o atraso do que deveria estar a ser feito, lendo o resto dos jornais da semana (teoricamente, está por detrás deste acto, a necessidade de saber o que deve ir para a reciclagem, libertando a casa, blá, blá, blá...).
Do suplemento de Economia do Expresso, retiro 3 ideias.
1. Alguma coisa está a mudar no país, no contexto económico. Há pouco tempo atrás, as notícias seriam sobre a falência de mais uma fábrica de curtumes, o sucesso de uma construtora civil (com os administradores ligados ao PSD, quase de certeza) ou imagens "descontraídas" daquela figura gorda e insuportável do tipo da Noite da Má Língua que tem a mania que percebe de futebol e de moda (tristemente enganado nos dois campos, helàs). Esta edição do suplemento era quase toda sobre empresas e acções ligadas às novas tecnologias. Coisas sólidas, de gente a trabalhar, a ganhar o seu, mas numa escala mundial e inovadora. O que foi bom.
2. Uma notícia era sobre agências de comunicação. O jornalista explicava quem são os as pessoas que ganham dinheiro a controlar a informação das empresas que sai para os jornais. Depois indignava-se com aquelas que vendem aos clientes a ideia de poderem controlar verdadeiramente a coisa, através de conhecimentos no meio jornalísticos ou até de "compra". Terá certamente razão, o nosso Cândido.
3. Um artigo de um jornalista a defender (subentende-se por todo o artigo) a absoluta necessidade de alargar o Porto de Lisboa. Como toda a gente sabe, a ideia é construir uma muralha de contentores, entre a cidade e o rio, para dar lucro a armadores e a várias empresas do sector. A coisa, como sempre, é colocada em termos dramáticos: ou se constrói exactamente como as partes interessadas exigem, ou será a a RUÍNA. Leia-se: "nunca mais barco nenhum virá descarregar a Lisboa SE continuarem as condições com que agora se satisfazem". Sem comentários. Mas é capaz de ligar com o ponto anterior...
À 2a feira aumenta-se o atraso do que deveria estar a ser feito, lendo o resto dos jornais da semana (teoricamente, está por detrás deste acto, a necessidade de saber o que deve ir para a reciclagem, libertando a casa, blá, blá, blá...).
Do suplemento de Economia do Expresso, retiro 3 ideias.
1. Alguma coisa está a mudar no país, no contexto económico. Há pouco tempo atrás, as notícias seriam sobre a falência de mais uma fábrica de curtumes, o sucesso de uma construtora civil (com os administradores ligados ao PSD, quase de certeza) ou imagens "descontraídas" daquela figura gorda e insuportável do tipo da Noite da Má Língua que tem a mania que percebe de futebol e de moda (tristemente enganado nos dois campos, helàs). Esta edição do suplemento era quase toda sobre empresas e acções ligadas às novas tecnologias. Coisas sólidas, de gente a trabalhar, a ganhar o seu, mas numa escala mundial e inovadora. O que foi bom.
2. Uma notícia era sobre agências de comunicação. O jornalista explicava quem são os as pessoas que ganham dinheiro a controlar a informação das empresas que sai para os jornais. Depois indignava-se com aquelas que vendem aos clientes a ideia de poderem controlar verdadeiramente a coisa, através de conhecimentos no meio jornalísticos ou até de "compra". Terá certamente razão, o nosso Cândido.
3. Um artigo de um jornalista a defender (subentende-se por todo o artigo) a absoluta necessidade de alargar o Porto de Lisboa. Como toda a gente sabe, a ideia é construir uma muralha de contentores, entre a cidade e o rio, para dar lucro a armadores e a várias empresas do sector. A coisa, como sempre, é colocada em termos dramáticos: ou se constrói exactamente como as partes interessadas exigem, ou será a a RUÍNA. Leia-se: "nunca mais barco nenhum virá descarregar a Lisboa SE continuarem as condições com que agora se satisfazem". Sem comentários. Mas é capaz de ligar com o ponto anterior...
16 de novembro de 2008

DA PINTURA
Sempre foi para mim um fonte de mistério. Pelo que revelava ou eu achava que me revelava. Mais tarde porque me permitiu dar forma aos fantasmas que me consumiam por dentro. Depois, quando a escrita apareceu e comeu tudo à sua volta, desapareceu do mesmo modo: misteriosamente, como se nunca tivesse existido na minha vida.
Nos últimos tempos, enquanto aprendo técnicas de óleo, no meio de frutas e naturezas mortas revela-me um novo mistério. O de trazer da sombra ou da luz uma forma que sempre ali esteve. À espera de um pincel desajeitado, mas ainda assim, ansioso pelas pequenas revelações.
14 de novembro de 2008
12 de novembro de 2008
DA RAZÃO E DO OVOS
Ao que parece - salvaguardando-se o sensacionalismo dos media (o que se está a tornar uma redundância, já que "media" rima cada vez mais com "disparate", o Cavaco é que tinha razão em só ler os títulos e ir trabalhar)- uma horda de adolescentes cercou o carro da ministra da educação e encheu-o de ovos.
Devo dizer que a coisa não me surpreende.
Por um lado, os néscios, filhos de néscios que sugam a teta cada vez mais cansada da escola, precisam de se entreter. Ainda mais com uma actividade que os prepara para a universidade, ou seja, para as praxes, arruaças e bebedeiras até ao coma.
Por outro lado, a teimosia da nossa Umbridge (ver "Harry Potter e a Ordem da Fénix") está pedi-las. A pôr-se a jeito para a turba ignara e manipulável.
Manuel Alegre, que raramente acerta uma, está certo quando diz que a razão não pode estar só de um lado. E quando acrescenta que mesmo quando assim é, não se pode governar contra todos.
Marçal Grilo, ontem, também descobriu a pólvora, ao afirmar "com franqueza" que esta luta já não tem a ver com a matéria de facto, mas com o descontentamento e desânimo de quem quer dar aulas e também, bastante, com oportunismo político. Óbvio. Primeiro foram os sindicatos, liderados pelo último homem de bigode em Portugal, que resolveram colher dividendos. Depois foi, a oposição (já que pela apresentação de propostas não vai lá, então que a pega seja de cernelha; que se rabeje o touro da contestação.
Por último, são as nossas "criancinhas" que andam chateadas com as faltas.
No meio de tudo isto, os professores. Os dedicados e os outros.
Já toda a gente acha que se "deve ser avaliado", só não concordam com o modelo. Sobretudo porque assenta entre a "quase certa maldade e inveja" de colegas.
São os mesmos que recusaram a avaliação externa (por exemplo como a das escolas privadas que têm certificação de qualidade e que vêem os seus procedimentos e práticas escrutinadas ao milímetro), mas que também não querem interna. Os mesmos que se queixam (e com razão) que muitos dos lugares dos conselhos executivos são ocupados por incompetentes que ali chegaram por terem usado o seu tempo para tudo, menos para dar aulas e que não fazem um boi de ideia de como gerir orçamentos e propostas de actividades de formação, por exemplo. Mas que recusaram os gestores externos.
Na verdade, são um bocadinho como os meninos que aturam: querem e não querem. E é nesta indecisão; através deste buraco de vontades que avança a Ministra, que entram os pais de nariz levantado e por onde se safam os adolescentes alarves.
Atirar ovos e cercar carros é só o princípio. A anarquia e o desvario, de vários lados, desceram totalmente à escola.
Pode ser que seja bom. Às vezes é preciso que tudo rebente para que o barulho do estrondo chame as pessoas à razão.
Ao que parece - salvaguardando-se o sensacionalismo dos media (o que se está a tornar uma redundância, já que "media" rima cada vez mais com "disparate", o Cavaco é que tinha razão em só ler os títulos e ir trabalhar)- uma horda de adolescentes cercou o carro da ministra da educação e encheu-o de ovos.
Devo dizer que a coisa não me surpreende.
Por um lado, os néscios, filhos de néscios que sugam a teta cada vez mais cansada da escola, precisam de se entreter. Ainda mais com uma actividade que os prepara para a universidade, ou seja, para as praxes, arruaças e bebedeiras até ao coma.
Por outro lado, a teimosia da nossa Umbridge (ver "Harry Potter e a Ordem da Fénix") está pedi-las. A pôr-se a jeito para a turba ignara e manipulável.
Manuel Alegre, que raramente acerta uma, está certo quando diz que a razão não pode estar só de um lado. E quando acrescenta que mesmo quando assim é, não se pode governar contra todos.
Marçal Grilo, ontem, também descobriu a pólvora, ao afirmar "com franqueza" que esta luta já não tem a ver com a matéria de facto, mas com o descontentamento e desânimo de quem quer dar aulas e também, bastante, com oportunismo político. Óbvio. Primeiro foram os sindicatos, liderados pelo último homem de bigode em Portugal, que resolveram colher dividendos. Depois foi, a oposição (já que pela apresentação de propostas não vai lá, então que a pega seja de cernelha; que se rabeje o touro da contestação.
Por último, são as nossas "criancinhas" que andam chateadas com as faltas.
No meio de tudo isto, os professores. Os dedicados e os outros.
Já toda a gente acha que se "deve ser avaliado", só não concordam com o modelo. Sobretudo porque assenta entre a "quase certa maldade e inveja" de colegas.
São os mesmos que recusaram a avaliação externa (por exemplo como a das escolas privadas que têm certificação de qualidade e que vêem os seus procedimentos e práticas escrutinadas ao milímetro), mas que também não querem interna. Os mesmos que se queixam (e com razão) que muitos dos lugares dos conselhos executivos são ocupados por incompetentes que ali chegaram por terem usado o seu tempo para tudo, menos para dar aulas e que não fazem um boi de ideia de como gerir orçamentos e propostas de actividades de formação, por exemplo. Mas que recusaram os gestores externos.
Na verdade, são um bocadinho como os meninos que aturam: querem e não querem. E é nesta indecisão; através deste buraco de vontades que avança a Ministra, que entram os pais de nariz levantado e por onde se safam os adolescentes alarves.
Atirar ovos e cercar carros é só o princípio. A anarquia e o desvario, de vários lados, desceram totalmente à escola.
Pode ser que seja bom. Às vezes é preciso que tudo rebente para que o barulho do estrondo chame as pessoas à razão.
8 de novembro de 2008
7 de novembro de 2008
2 de novembro de 2008
LADOS DO CÉREBRO
Enquanto preparava uma aula para os meus alunos de Processos Criativos, descobri este vídeo sobre o uso preferencial de um dos lados do cérebro.
Os que usam mais o lado direito (criativos) verão girar na direcção dos ponteiros do relógio, os outros (mais lógicos) verão o contrário.
Mas a coisa espantosa está no momento em que fixamos a sombra dos pés, no chão. Nessa altura, ela muda de direcção...
Experimentem.
Enquanto preparava uma aula para os meus alunos de Processos Criativos, descobri este vídeo sobre o uso preferencial de um dos lados do cérebro.
Os que usam mais o lado direito (criativos) verão girar na direcção dos ponteiros do relógio, os outros (mais lógicos) verão o contrário.
Mas a coisa espantosa está no momento em que fixamos a sombra dos pés, no chão. Nessa altura, ela muda de direcção...
Experimentem.
1 de novembro de 2008
CRIAR
Nos últimos tempos não tenho conseguido escrever nada. Primeiro foi o filme, depois, os compromissos alimentares, agora, as aulas...
É nestas alturas que se começa a sonhar com a fuga para o meio da selva. Lá, onde se poderia escrever. Lá, no lugar que não existe.
(suspiro)
Vou ter de arranjar maneira de alimentar a fome de escrita.
Nos últimos tempos não tenho conseguido escrever nada. Primeiro foi o filme, depois, os compromissos alimentares, agora, as aulas...
É nestas alturas que se começa a sonhar com a fuga para o meio da selva. Lá, onde se poderia escrever. Lá, no lugar que não existe.
(suspiro)
Vou ter de arranjar maneira de alimentar a fome de escrita.
A CARA NO LIVRO
Como se sabe, embirro com todas as novidades que envolvem a palavra "face". Houve um tempo em que não me chateava, mas o crescimento da futilidade e a promoção da "tonteria" nos últimos anos, atacaram-me bastante a paciência.
Contudo, esta semana, aderi ao Facebook. E está a ser uma experiência simpática. Veremos se tem virá dali alguma coisa de útil. Mas ao menos, ficamos rodeados de rostos amigáveis sem sair de casa.
Como se sabe, embirro com todas as novidades que envolvem a palavra "face". Houve um tempo em que não me chateava, mas o crescimento da futilidade e a promoção da "tonteria" nos últimos anos, atacaram-me bastante a paciência.
Contudo, esta semana, aderi ao Facebook. E está a ser uma experiência simpática. Veremos se tem virá dali alguma coisa de útil. Mas ao menos, ficamos rodeados de rostos amigáveis sem sair de casa.
25 de outubro de 2008
PRÉMIO LEYA
Só os mais desatentos estranharão que, além do vencedor, os finalistas do "prémio" Leya (leya-se "adiantamento por 20 anos de direitos, ao serviço de uma monstruosa máquina de vendas") sejam quase todos brasileiros. Seria não compreender a dimensão e a riqueza do Brasil no campo cultural. Um deles é o meu amigo Alaor Barbosa(não sei se já falei no assunto, mas estou muito preguiçoso para ir ver o blogue...) que verá o seu romance publicado numa - provavelmente na D.Quixote - das editoras do grupo.
Fico contente que nos últimos anos nos tenha começado a chegar um pouco do melhor (e do pior, também) dos nossos amigos do outro lado. Espero que alguns dos contemporâneos portugueses ali consigam entrar. Não para destronar o Eça, Pessoa ou Florbela Espanca, mas para dar a conhecer um pouco do que por cá, igualmente se vai fazendo.
Só os mais desatentos estranharão que, além do vencedor, os finalistas do "prémio" Leya (leya-se "adiantamento por 20 anos de direitos, ao serviço de uma monstruosa máquina de vendas") sejam quase todos brasileiros. Seria não compreender a dimensão e a riqueza do Brasil no campo cultural. Um deles é o meu amigo Alaor Barbosa(não sei se já falei no assunto, mas estou muito preguiçoso para ir ver o blogue...) que verá o seu romance publicado numa - provavelmente na D.Quixote - das editoras do grupo.
Fico contente que nos últimos anos nos tenha começado a chegar um pouco do melhor (e do pior, também) dos nossos amigos do outro lado. Espero que alguns dos contemporâneos portugueses ali consigam entrar. Não para destronar o Eça, Pessoa ou Florbela Espanca, mas para dar a conhecer um pouco do que por cá, igualmente se vai fazendo.
20 de outubro de 2008
É PRECISO BOICOTAR.
Todos os dias, milhares de jornalistas portugueses se empenham em procurar o que de pior aconteceu neste país. O desastre mais sangrento, a medida governamental que poderá prejudicar muita gente, a mãe que talvez tenha tentado assassinar a filha...
Parece-me uma evidência que é tempo de pararmos de "ser informados". De dizer não, à compra de qualquer jornal nacional, de parar de assistir aos jornais televisivos ou a escutar as "notícias em cima da hora", da rádio.
Meus amigos, por mim, chegou a hora de deixar de alinhar no pessimismo fabricado. Recuso-me a viver numa Coreia do Norte de sinal invertido, no que toca à comunicação social.
Sim, morreram pessoas hoje na estrada, mas também gente escapou com vida por causa de um novo tipo de intervenção. Sim, o sistema financeiro está em dificuldades, mas também sim, houve obras sociais que foram bem sucedidas a ajudar quem mais precisava.
Sim, o país é uma merda. Mas sim, o meu país tem sol e gente que insiste em fazer o bem.
E nao, nem mais um tostão para depressão impressa ou falada.
Todos os dias, milhares de jornalistas portugueses se empenham em procurar o que de pior aconteceu neste país. O desastre mais sangrento, a medida governamental que poderá prejudicar muita gente, a mãe que talvez tenha tentado assassinar a filha...
Parece-me uma evidência que é tempo de pararmos de "ser informados". De dizer não, à compra de qualquer jornal nacional, de parar de assistir aos jornais televisivos ou a escutar as "notícias em cima da hora", da rádio.
Meus amigos, por mim, chegou a hora de deixar de alinhar no pessimismo fabricado. Recuso-me a viver numa Coreia do Norte de sinal invertido, no que toca à comunicação social.
Sim, morreram pessoas hoje na estrada, mas também gente escapou com vida por causa de um novo tipo de intervenção. Sim, o sistema financeiro está em dificuldades, mas também sim, houve obras sociais que foram bem sucedidas a ajudar quem mais precisava.
Sim, o país é uma merda. Mas sim, o meu país tem sol e gente que insiste em fazer o bem.
E nao, nem mais um tostão para depressão impressa ou falada.
16 de outubro de 2008

PROBLEMAS INFORMÁTICOS
Agora percebo os brados indignados da Oposição à entrega em formato electrónico do Orçamento de Estado para 2009.
É que eu também, procurei os apoios à Cultura, utilizando o "search" dentro do pdf... e só me saía "Agricultura".
Sugiro já que se corrija este bug. Estou certo que a ânsia do Psd, Cds e Pcp sobre esta matéria é tão aflitiva como a do Ps, que montou esta proposta de uso dos dinheiros públicos no próximo ano....
13 de outubro de 2008
OFERTA DE CONVITES
Para personalizar um pouco este espaço e juntar as pessoas no mundo real, o PRAZER_INCULTO e a FILMES DO TEJO, resolveram oferecer 10 convites duplos (ou um total de 20 lugares caso as pessoas prefiram ir sozinhas) para a projecção do meu filme, O ADEUS À BRISA.
Como já foi indicado num post anterior, a projecção (será a segunda, a primeira acontecerá na próxima sexta-feira, dia 17, às 18h) terá lugar no Grande Auditório da Culturgest,na segunda-feira, 20 de Outubro, no horário reservado à competição nacional: 23 horas.
Basta enviar um email para sofiasousa@filmesdotejo.pt, com a frase "Sei que é asneira, mas quero ir ver o filme do Possidónio Cachapa." E indicar se pretendem 1 ou 2 lugares gratuitos.
:) Os primeiros corajosos irão para a guest list e lá nos veremos.
Para personalizar um pouco este espaço e juntar as pessoas no mundo real, o PRAZER_INCULTO e a FILMES DO TEJO, resolveram oferecer 10 convites duplos (ou um total de 20 lugares caso as pessoas prefiram ir sozinhas) para a projecção do meu filme, O ADEUS À BRISA.
Como já foi indicado num post anterior, a projecção (será a segunda, a primeira acontecerá na próxima sexta-feira, dia 17, às 18h) terá lugar no Grande Auditório da Culturgest,na segunda-feira, 20 de Outubro, no horário reservado à competição nacional: 23 horas.
Basta enviar um email para sofiasousa@filmesdotejo.pt, com a frase "Sei que é asneira, mas quero ir ver o filme do Possidónio Cachapa." E indicar se pretendem 1 ou 2 lugares gratuitos.
:) Os primeiros corajosos irão para a guest list e lá nos veremos.
HÁ UM RUÍDO DO LADO FORA DA CASA
Passa das 3h da manhã. Tento acabar um trabalho alimentício, nesta madrugada de domingo para segunda.
Trabalho um bocado, leio o correio que um leitor me escreve, vejo um pedaço de um vídeo relacionado com a minha tarefa e ouço-me a teclar. Penso nos antebraços que me doem do mau apoio na mesa apinhada de papéis, livros, uma chávena de chá, caixas de dvd, auscultadores, um cartão de visita... Ao fundo, a planta de interior que tem crescido vá-se lá saber como, no cantinho da janela.
Depois ouço um carro que passa na rua, tomo consciência do silêncio à minha volta (de pessoas). Reparo que estou vivo, mesmo se me tinha esquecido que este corpo que trabalha tinha uma existência física.
É tarde, tempo de largar a metafísica e avançar no trabalho.
Mas continua a haver uma rua para lá da minha casa...
Passa das 3h da manhã. Tento acabar um trabalho alimentício, nesta madrugada de domingo para segunda.
Trabalho um bocado, leio o correio que um leitor me escreve, vejo um pedaço de um vídeo relacionado com a minha tarefa e ouço-me a teclar. Penso nos antebraços que me doem do mau apoio na mesa apinhada de papéis, livros, uma chávena de chá, caixas de dvd, auscultadores, um cartão de visita... Ao fundo, a planta de interior que tem crescido vá-se lá saber como, no cantinho da janela.
Depois ouço um carro que passa na rua, tomo consciência do silêncio à minha volta (de pessoas). Reparo que estou vivo, mesmo se me tinha esquecido que este corpo que trabalha tinha uma existência física.
É tarde, tempo de largar a metafísica e avançar no trabalho.
Mas continua a haver uma rua para lá da minha casa...
8 de outubro de 2008
PASSAM OS DIAS A PERGUNTAR-ME:
Que expectativas tens em atingir esta ou aquela satisfação pessoal no futuro.
Respondo que nenhuma. Estou demasiado focado em me sentir tranquilo, agora.
ps: quem tiver mais de 30 anos e queira reflectir sobre a efemeridade do sucesso, veja na RTP Memória os festivais da canção dos anos 70. Quem diabo são aquelas pessoas de quem nos lembramos vagamente das músicas? E na edição de 1979, surge uma misteriosa Manuela "Matos". A pista para este último mistério resume-se em poucas palavras: "azar com o botox" e TVI...
Que expectativas tens em atingir esta ou aquela satisfação pessoal no futuro.
Respondo que nenhuma. Estou demasiado focado em me sentir tranquilo, agora.
ps: quem tiver mais de 30 anos e queira reflectir sobre a efemeridade do sucesso, veja na RTP Memória os festivais da canção dos anos 70. Quem diabo são aquelas pessoas de quem nos lembramos vagamente das músicas? E na edição de 1979, surge uma misteriosa Manuela "Matos". A pista para este último mistério resume-se em poucas palavras: "azar com o botox" e TVI...
6 de outubro de 2008
O NEGÓCIO DAS PELES
Ainda andam por aí, as dondocas embrulhadas em bichos. As bimbas a sonharem imitá-las, a marca da trepadora social a aquecer as saídas nocturnas.
Hoje recebi o pedido para uma petição sobre esta questão. Dizia, e bem, que não era preciso ver o vídeo para assinar. Eu vi. Uma parte.
Não há jogos olímpicos que apaguem esta visão de animais a ser esquartejados vivos, como não haverá a de homens executados à bala, por ordem de tribunais.
A petição anda por aí.
E para os cépticos, fica o link que desaconselho: http://www.petatv.com/tvpopup/video.asp?video=fur_farm&Player=wm&speed=med
ps: ver a insistência da RTP em gastar o dinheiro dos contribuintes a mostrar touradas também nos devia indignar. Mas parece que ainda não chegou a hora. Gloriosamente bárbaros por mais uns tempos.
Ainda andam por aí, as dondocas embrulhadas em bichos. As bimbas a sonharem imitá-las, a marca da trepadora social a aquecer as saídas nocturnas.
Hoje recebi o pedido para uma petição sobre esta questão. Dizia, e bem, que não era preciso ver o vídeo para assinar. Eu vi. Uma parte.
Não há jogos olímpicos que apaguem esta visão de animais a ser esquartejados vivos, como não haverá a de homens executados à bala, por ordem de tribunais.
A petição anda por aí.
E para os cépticos, fica o link que desaconselho: http://www.petatv.com/tvpopup/video.asp?video=fur_farm&Player=wm&speed=med
ps: ver a insistência da RTP em gastar o dinheiro dos contribuintes a mostrar touradas também nos devia indignar. Mas parece que ainda não chegou a hora. Gloriosamente bárbaros por mais uns tempos.
3 de outubro de 2008
29 de setembro de 2008
DAS COISAS ROBOTIZADAS
Acabei de ver um documentário dinamarquês, aqui, no Nordisk Panorama, sobre as relações que se podem estabelecer entre as pessoas, sobretudo as mais idosas e solitárias, e os novos robots. "Geminóides", como o inventor lhe chama,fisicamente muito próximos de nós, ou "animais", a quem se acaricia e que respondem pelo nome.
O filme, não dá muitas respostas, preferindo as interrogações. Uma delas que é quase uma resposta: o que há para questionar quando uma máquina nos deixa mais felizes do que os seres humanos que nos cercam?
Acabei de ver um documentário dinamarquês, aqui, no Nordisk Panorama, sobre as relações que se podem estabelecer entre as pessoas, sobretudo as mais idosas e solitárias, e os novos robots. "Geminóides", como o inventor lhe chama,fisicamente muito próximos de nós, ou "animais", a quem se acaricia e que respondem pelo nome.
O filme, não dá muitas respostas, preferindo as interrogações. Uma delas que é quase uma resposta: o que há para questionar quando uma máquina nos deixa mais felizes do que os seres humanos que nos cercam?
28 de setembro de 2008
CARTA DE MALMÖ
De passagem pela Suécia, reparo sobretudo no cuidado com as questões ecológicas. Pratos e talheres feitos de aparas de madeira reciclada, autocarros que andam a gás natural,por todo o lado avisos e sugestões à redução da poluição.
Na entrada do cinema oferecem-me maçãs, para o caso de me dar fome. Claro que mais à frente,as pipocas resistem, mas dão-me opção, gratuita, ainda por cima.
O barulho dos carros existe, mas é menor do que estou habituado.
Um dia destes, no meu país, as coisas também assim serão. Um dia...
De passagem pela Suécia, reparo sobretudo no cuidado com as questões ecológicas. Pratos e talheres feitos de aparas de madeira reciclada, autocarros que andam a gás natural,por todo o lado avisos e sugestões à redução da poluição.
Na entrada do cinema oferecem-me maçãs, para o caso de me dar fome. Claro que mais à frente,as pipocas resistem, mas dão-me opção, gratuita, ainda por cima.
O barulho dos carros existe, mas é menor do que estou habituado.
Um dia destes, no meu país, as coisas também assim serão. Um dia...
26 de setembro de 2008
O ADEUS À BRISA
Fechei, hoje, a montagem de imagem do meu documentário sobre a figura de Urbano Tavares Rodrigues.
Era para mim uma evidência fazer um filme sobre uma figura a quem o país deve muito. Pelo seu exemplo, coragem, generosidade e talento.
Numa época em que parece ter desaparecido do mapa a figura do Outro, é bom concluir um filme sobre alguém que no meio de todas as tormentas defendeu sempre a ideia de um mundo em que o "homem é irmão do homem".
É por isso que usei o título de um dos seus romances. Para que no meio deste ar seco de humanidade sopre de novo uma qualquer brisa que nos alivie.
Fechei, hoje, a montagem de imagem do meu documentário sobre a figura de Urbano Tavares Rodrigues.
Era para mim uma evidência fazer um filme sobre uma figura a quem o país deve muito. Pelo seu exemplo, coragem, generosidade e talento.
Numa época em que parece ter desaparecido do mapa a figura do Outro, é bom concluir um filme sobre alguém que no meio de todas as tormentas defendeu sempre a ideia de um mundo em que o "homem é irmão do homem".
É por isso que usei o título de um dos seus romances. Para que no meio deste ar seco de humanidade sopre de novo uma qualquer brisa que nos alivie.
24 de setembro de 2008
TEATRO
Em, "DE HOMEM PARA HOMEM", de Manfred Karge, Beatriz Batarda vai tão bem como sempre. Apesar da peça poder ser mais significativa para os intervenientes nesta adaptação do que para o público português, já que vive muito de referências a lugares e situações que nos são estranhos, é com interesse e admiração que se assiste a este monólogo. A entrega total, capacidade mimetica e variedade de recursos de representação de Batarda, fazem desta peça (que poderia ser uma estucha, nas mãos de outra actriz)um excelente trabalho.
A ver.
No Teatro do Bairro Alto até 5 de Outubro.
Mais informações, aqui.
Em, "DE HOMEM PARA HOMEM", de Manfred Karge, Beatriz Batarda vai tão bem como sempre. Apesar da peça poder ser mais significativa para os intervenientes nesta adaptação do que para o público português, já que vive muito de referências a lugares e situações que nos são estranhos, é com interesse e admiração que se assiste a este monólogo. A entrega total, capacidade mimetica e variedade de recursos de representação de Batarda, fazem desta peça (que poderia ser uma estucha, nas mãos de outra actriz)um excelente trabalho.
A ver.
No Teatro do Bairro Alto até 5 de Outubro.
Mais informações, aqui.
18 de setembro de 2008
AINDA SOBRE O ESTADO ATMOSFÉRICO
Isto parece um livro do Júlio Verne, com explosões meteóricas, tempestades no mar e raios de sol que se podem tornar verdes em determinados lugares e épocas do ano.
Mas correndo o risco de me repetir, sempre conto que ontem e hoje de manhã, o cinzento do céu de Lisboa me empurrou contra a calçada. Ali andei, rastejando por entre as ervas e o bico dos pombos que já não voam. Estou eu neste estado de espírito, quando reparo em dois e-mails. Um vinha de Chicago, de uma conhecida que me diz a propósito de um projecto que julgava gorado: "Não entregues já o bilhete (expressão idiomática, que se usará certamente na windy city), que eu vou ver o que posso fazer".
E de Berlim, vinha outra, de uma nova leitora, que descobriu os meus livros em visita à vivenda da mãe portuguesa, em Sintra. E que partilha comigo esse encontro feliz.
E perante estas duas mensagens, olho para fora e reparo que o céu abriu de novo mais um pouco. Não está sol,ainda, mas já estou outra vez de pé. E isso é que conta.
Isto parece um livro do Júlio Verne, com explosões meteóricas, tempestades no mar e raios de sol que se podem tornar verdes em determinados lugares e épocas do ano.
Mas correndo o risco de me repetir, sempre conto que ontem e hoje de manhã, o cinzento do céu de Lisboa me empurrou contra a calçada. Ali andei, rastejando por entre as ervas e o bico dos pombos que já não voam. Estou eu neste estado de espírito, quando reparo em dois e-mails. Um vinha de Chicago, de uma conhecida que me diz a propósito de um projecto que julgava gorado: "Não entregues já o bilhete (expressão idiomática, que se usará certamente na windy city), que eu vou ver o que posso fazer".
E de Berlim, vinha outra, de uma nova leitora, que descobriu os meus livros em visita à vivenda da mãe portuguesa, em Sintra. E que partilha comigo esse encontro feliz.
E perante estas duas mensagens, olho para fora e reparo que o céu abriu de novo mais um pouco. Não está sol,ainda, mas já estou outra vez de pé. E isso é que conta.
14 de setembro de 2008

Tenho um sol que muda, no ambiente de trabalho do meu computador. Na verdade, é uma coisa virtual que anuncia o tempo que está e o que será. Mas gosto de o ver, a lembrar-me que estou na Terra, e que do lado de lá destas paredes, desta música que ouço na net, das letras com que me cruzo, há uma rua, pessoas e uma temperatura diferente da que tenho neste escritório.
Hoje, aceitei ir à praia. Estava à espera de ser uma coisa saudosa, com o Verão morto, para trás das costas, o banho eventualíssimo. Afinal, foi um dos melhores dias do ano, a água estava límpida, a praia com o número certo de pessoas e até sandes de atum em pão alentejano comi. Escrevo isto e penso num dos comentários do post anterior: o que fazer quando tudo falha? E penso que a resposta é aceitar que não sabemos tudo o que nos espera, nem controlamos o sol, ou a rotina dos nossos domingos. Há coisas que estão para lá das nossas certezas e vivê-las também faz parte do grande pacote de estar vivo.
9 de setembro de 2008
MUDA DE VIDA!
Cada vez há mais pessoas a ler livros que as aconselham a meditar, a apelar para o sobrenatural nas suas diversas formas, com o firme intuito de deixarem de sentir a dor ou a insatisfação das suas vidas.
Para esses, deixem-me dizer isto: meditar está certo, ajuda a recentrar. Mas melhor que tudo é abandonar a vida que não nos faz feliz.
Mesmo que doa, mesmo que se pague um preço, ao deixar para trás uma rotina familiar ou profissional ( e há sempre custos, em tudo isto), não há nada melhor do voltar a estar ao volante do seu destino.
Para os que acham que se calhar não é preciso, que mais tarde... talvez, aqui ficam as flash news: Em breve vamos estar mortos. Todos. O que nos vai separar é saber quem viveu o seu destino atá ao tutano.
Cada vez há mais pessoas a ler livros que as aconselham a meditar, a apelar para o sobrenatural nas suas diversas formas, com o firme intuito de deixarem de sentir a dor ou a insatisfação das suas vidas.
Para esses, deixem-me dizer isto: meditar está certo, ajuda a recentrar. Mas melhor que tudo é abandonar a vida que não nos faz feliz.
Mesmo que doa, mesmo que se pague um preço, ao deixar para trás uma rotina familiar ou profissional ( e há sempre custos, em tudo isto), não há nada melhor do voltar a estar ao volante do seu destino.
Para os que acham que se calhar não é preciso, que mais tarde... talvez, aqui ficam as flash news: Em breve vamos estar mortos. Todos. O que nos vai separar é saber quem viveu o seu destino atá ao tutano.
7 de setembro de 2008
ALTERAÇÕES
Como este fim-de-semana fiz umas pequenas alterações na casa, resolvi alargar o conceito ao blogue. Meti uma foto minha, porque é preciso dar a cara, ou pelo menos a testa - ou, se preferirem, mostrar os olhos, que são um dos poucos orgãos do corpo que não enganam - pelas nossas palavras.
Do lado direito, saiu a frase do RIO DA GLÓRIA, e a imagem tirada em Trieste, o ano passado, e entrou um excerto (bastante neutro) do livro em que trabalho actualmente.Vou mudá-lo de vez em quando, para não cheirar a mofo...
Seja bem-vindo quem vier por bem, como sempre.
Como este fim-de-semana fiz umas pequenas alterações na casa, resolvi alargar o conceito ao blogue. Meti uma foto minha, porque é preciso dar a cara, ou pelo menos a testa - ou, se preferirem, mostrar os olhos, que são um dos poucos orgãos do corpo que não enganam - pelas nossas palavras.
Do lado direito, saiu a frase do RIO DA GLÓRIA, e a imagem tirada em Trieste, o ano passado, e entrou um excerto (bastante neutro) do livro em que trabalho actualmente.Vou mudá-lo de vez em quando, para não cheirar a mofo...
Seja bem-vindo quem vier por bem, como sempre.
5 de setembro de 2008
PELA PÁTRIA LUTAR
Um jovem da minha família vai candidatar-se à Marinha. Parece que agora é moda, o site deles está simpático, os anúncios que passam na RTP2 alvitram uma viagem aventurosa no meio das vagas e assim.
Ele só não percebia bem por que tinham os seus conhecidos (na casa dos 20 anos) criado barriga, uns tempos depois de entrarem para quadro. Lá lhe expliquei que é devido ao esforço contínuo a que se submetem quase todos os que estão nas Forças Armadas. O amor à Pátria é tanto que só o afogam em cerveja subsidiada e cigarros sem imposto.
Gostava que entrasse na especialidade "condução". Digo isto, por puro instinto de protecção. É que depois de passar 3 anos a levar os filhos do comandante ao colégio, a mulher deste à modista e o propriamente dito sabe-se lá onde, sempre poderia concorrer para motorista do Parlamento. Ou de uma empresa pública. Tinha a mesma vida sem fazer nenhum e recebia entre 2.000 a 3.000 euros por mês. Não era mau.
... Só não sei é por quanto tempo se livraria da barriguinha.
"Pelos galões, marchar, marchar!!"
Um jovem da minha família vai candidatar-se à Marinha. Parece que agora é moda, o site deles está simpático, os anúncios que passam na RTP2 alvitram uma viagem aventurosa no meio das vagas e assim.
Ele só não percebia bem por que tinham os seus conhecidos (na casa dos 20 anos) criado barriga, uns tempos depois de entrarem para quadro. Lá lhe expliquei que é devido ao esforço contínuo a que se submetem quase todos os que estão nas Forças Armadas. O amor à Pátria é tanto que só o afogam em cerveja subsidiada e cigarros sem imposto.
Gostava que entrasse na especialidade "condução". Digo isto, por puro instinto de protecção. É que depois de passar 3 anos a levar os filhos do comandante ao colégio, a mulher deste à modista e o propriamente dito sabe-se lá onde, sempre poderia concorrer para motorista do Parlamento. Ou de uma empresa pública. Tinha a mesma vida sem fazer nenhum e recebia entre 2.000 a 3.000 euros por mês. Não era mau.
... Só não sei é por quanto tempo se livraria da barriguinha.
"Pelos galões, marchar, marchar!!"
3 de setembro de 2008

Das taveiradas de antanho
Perguntei-me, muitas vezes, ao longo dos anos, de onde viria a inspiração para o disparate, a um certo arquitecto-cineasta, que tão bem se abotoa com o dinheiro.
A resposta chega-me do meio do capítulo IV, do atrás citado livro do Eça:
"Numa antecâmara,guarnecida de banquetas de marroquim, devia estacionar, à francesa, um criado de libré. A sala de espera dos doentes alegrava com o seu papel verde de ramagens prateadas, as plantas em vasos de Ruão, quadros de muita cor, e ricas poltronas cercando a jardineira coberta de colecções do Charivari, de vistas estereoscópicas, de álbuns de actrizes semi-nuas para tirar inteiramente o ar triste de consultório, até um piano mostrava o seu teclado branco.
(...)
Alguns amigos que começavam a cercar Carlos, Taveira, seu contemporâneo e agora vizinho do Ramalhete (...) Taveira absorveu-se nas fotografias de actrizes..."
A colorida resposta para os estádios, amoreirices e edifícios Totobola é, afinal, histórica. Runs in the family...
2 de setembro de 2008
OS MAIAS

Por razões caseiras, vi-me a reler OS MAIAS.
Apesar de ser uma das poucas obras realmente interessantes que os variados ministérios da educação têm mantido nos programas, dei por mim a pensar que talvez fosse apenas um bom livro que não lia há muito tempo.
OS MAIAS não é apenas um bom livro, é um Grande Livro. Talvez o melhor romance alguma vez escrito em Portugal. É por isso que se aguenta tantos anos depois. É também por isso que mal o começamos a ler nos esquecemos das marcas de temporalidade: levamos com as carruagens nas suas tipologias mais variadas, nos francesismos e anglicismos e não nos queixamos. Melhor: até gostamos.
Este romance que li pela primeira vez aos 16 anos, interessa-me tanto como na primeira vez. Faz-me rir e emociona-me como no primeiro dia. E isso, muitos milhares de livros depois, é obra.
Honestamente, não me parece que haja um único escritor contemporâneo (e podemos andar décadas para trás) que lhe chegue aos calcanhares. Todos penamos para ser originais, dominar a língua (as línguas, nalguns casos) o melhor possível, mas ser Eça, fica muito para lá do Equador. Dessa linha imaginária que separa os que se acham escritores ou até ganham fama e fortuna nesse equívoco e os que são, por mais que o tempo passe sobre o seu trabalho.
Agora peço desculpa, mas tenho de ir concluir um trabalho, e estou com pressa de voltar ao Ramalhete.

Por razões caseiras, vi-me a reler OS MAIAS.
Apesar de ser uma das poucas obras realmente interessantes que os variados ministérios da educação têm mantido nos programas, dei por mim a pensar que talvez fosse apenas um bom livro que não lia há muito tempo.
OS MAIAS não é apenas um bom livro, é um Grande Livro. Talvez o melhor romance alguma vez escrito em Portugal. É por isso que se aguenta tantos anos depois. É também por isso que mal o começamos a ler nos esquecemos das marcas de temporalidade: levamos com as carruagens nas suas tipologias mais variadas, nos francesismos e anglicismos e não nos queixamos. Melhor: até gostamos.
Este romance que li pela primeira vez aos 16 anos, interessa-me tanto como na primeira vez. Faz-me rir e emociona-me como no primeiro dia. E isso, muitos milhares de livros depois, é obra.
Honestamente, não me parece que haja um único escritor contemporâneo (e podemos andar décadas para trás) que lhe chegue aos calcanhares. Todos penamos para ser originais, dominar a língua (as línguas, nalguns casos) o melhor possível, mas ser Eça, fica muito para lá do Equador. Dessa linha imaginária que separa os que se acham escritores ou até ganham fama e fortuna nesse equívoco e os que são, por mais que o tempo passe sobre o seu trabalho.
Agora peço desculpa, mas tenho de ir concluir um trabalho, e estou com pressa de voltar ao Ramalhete.
29 de agosto de 2008
DAS COISAS QUE NOS DIZEM
Nos últimos tempos entra-se nos países árabes com medo. Poderia dizer isto de uma forma mais "adequada", mas é medo que se sente quando damos por nós rodeados por multidões em férias, as mulheres cobertas para lá dos dentes e os homens iguaizinhos aos retratos dos bombistas suicidas da televisão. É com alívio que se avista aqui e ali um europeu perdido, ele próprio com ar receoso....
Depois a coisa passa. Agradamo-nos da limpeza do interior das casas modestas, da forma delicada e prestável como falam connosco. Reparamos na delicadeza dos tecidos e na dificuldade do ritual do chá. E, mais importante de tudo, que são pessoas exactamente como nós, melhores em muitos aspectos, iguais ao que nós éramos 30 anos antes, noutros. Não há grande diferença entre a Maria Cavaco Silva de véu diante do Papa e a mulher que se esconde por detrás do lenço. As duas estão convencidas de estarem a fazer "a coisa certa". E estão, de alguma maneira.
Quanto mais viajo pelos países pobres, muçulmanos ou outros, mais me convenço de que a Europa perdeu alguma coisa no trajecto para a prosperidade. A começar nas pessoas.
Enquanto passeio pelos ruas estreitas, no meio de carpinteiros e alfaites que lutam para se manter vivos e dignos, penso em Bush, criado na riqueza republicana. E pergunto-me por que razão tomamos, inconscientemente, para nós o medo ignorante dele e dos que são como ele.
Na verdade, a brevidade da vida deveria fazer-nos repetir Inshallah (está tudo nas mãos do Destino).
O nosso único medo permitido deveria ser o de não ter vivido.
Nos últimos tempos entra-se nos países árabes com medo. Poderia dizer isto de uma forma mais "adequada", mas é medo que se sente quando damos por nós rodeados por multidões em férias, as mulheres cobertas para lá dos dentes e os homens iguaizinhos aos retratos dos bombistas suicidas da televisão. É com alívio que se avista aqui e ali um europeu perdido, ele próprio com ar receoso....
Depois a coisa passa. Agradamo-nos da limpeza do interior das casas modestas, da forma delicada e prestável como falam connosco. Reparamos na delicadeza dos tecidos e na dificuldade do ritual do chá. E, mais importante de tudo, que são pessoas exactamente como nós, melhores em muitos aspectos, iguais ao que nós éramos 30 anos antes, noutros. Não há grande diferença entre a Maria Cavaco Silva de véu diante do Papa e a mulher que se esconde por detrás do lenço. As duas estão convencidas de estarem a fazer "a coisa certa". E estão, de alguma maneira.
Quanto mais viajo pelos países pobres, muçulmanos ou outros, mais me convenço de que a Europa perdeu alguma coisa no trajecto para a prosperidade. A começar nas pessoas.
Enquanto passeio pelos ruas estreitas, no meio de carpinteiros e alfaites que lutam para se manter vivos e dignos, penso em Bush, criado na riqueza republicana. E pergunto-me por que razão tomamos, inconscientemente, para nós o medo ignorante dele e dos que são como ele.
Na verdade, a brevidade da vida deveria fazer-nos repetir Inshallah (está tudo nas mãos do Destino).
O nosso único medo permitido deveria ser o de não ter vivido.
9 de agosto de 2008
8 de agosto de 2008
OS MÍNIMOS OLÍMPICOS DA GOVERNAÇÃO
É verdade que para ser ministro é preciso ter alguma competência e utilidade para o país. Mas na ausência destas competências, e sem grandes exigências, não deveria haver uns mínimos estéticos? Qualquer coisa que diferenciasse um governante de um pesadelo do Tolkien... Digo eu.

ps: obviamente, como anteriormente ficou demonstrado, o psd também não concorda com isto... Em latim Sic horror demonstratum
É verdade que para ser ministro é preciso ter alguma competência e utilidade para o país. Mas na ausência destas competências, e sem grandes exigências, não deveria haver uns mínimos estéticos? Qualquer coisa que diferenciasse um governante de um pesadelo do Tolkien... Digo eu.

ps: obviamente, como anteriormente ficou demonstrado, o psd também não concorda com isto... Em latim Sic horror demonstratum
7 de agosto de 2008
O BEDELHO MAL METIDO
Sei, por experiência e observação interessada, que as comissões de pais são uma boa ideia que não resulta, em Portugal. Envolver a família e tal, estaria certo, se as pessoas que se oferecem para esses lugares não fossem, de uma forma geral (salvaguardo as raríssimas e honrosas excepções)indivíduos que ambicionam o poder, seja ele qual for. A minha vizinha de baixo, que é cozinheira, a professora primária que acha que está tudo mal nas outras escolas, o reformado por processos fraudulentos aos 45 anos e a senhora devota que não está disposta a que a educação dos seus 250 filhos, paridos com tanta alegria caia em mãos liberais.
Quando estas comissões se unem em confederações é a desgraça completa. O nível de disparate aumenta e o de influência também.
Se houvesse dúvidas sobre isto, bastaria analisar este comunicado (ou conferência, não sei) de imprensa, divulgado hoje nos jornais:
"Dois em cada três casos de violência e indisciplina registados nas escolas devem-se à falta de funcionários auxiliares nos estabelecimentos de ensino, defendeu hoje a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), que exige, por isso, "medidas urgentes".
"A CNIPE atribui 65 por cento dos casos de violência e indisciplina ocorridos com alunos à falta cada vez maior de pessoal auxiliar nas escolas", refere a confederação, num comunicado hoje divulgado."
Onde é que estas criaturas vão buscar os "65%"? Perguntaram aos filhos adolescentes, lá em casa? Ou leram o último livro de auto-ajuda sobre o assunto, "A Contínua é que nos salva"?
Basta ENTRAR numa escola, para ver que isto é idiota. Toneladas de mulheres sentadas em mesinhas às entradas dos pavilhões, quilos e quilos de homens com ar de nunca terem feito nada na vida a passear, atravessam-se pelos olhos dentro. Não limpam, não vigiam, não ajudam. São mulas de trabalho ao contrário. Parasitas com contrato por tempo indeterminado.
O que o governo deveria fazer era pôr metade destes inúteis na rua. Que fossem trabalhar para pagar a renda de casa, em vez de nos chularem há mais de 30 anos.
Quanto às confederações de pais que nos oferecem estas pérolas de cretinice... Era dar-lhes renda para fazer ou conversarem descansadamente uma tarde ao lado de uma destas pobres Auxiliares (?) de Acção Educativa.
Bem tinha razão o meu amigo A.M. quando gritava "a ignorância e o vento têm o mesmo atrevimento!"
Sei, por experiência e observação interessada, que as comissões de pais são uma boa ideia que não resulta, em Portugal. Envolver a família e tal, estaria certo, se as pessoas que se oferecem para esses lugares não fossem, de uma forma geral (salvaguardo as raríssimas e honrosas excepções)indivíduos que ambicionam o poder, seja ele qual for. A minha vizinha de baixo, que é cozinheira, a professora primária que acha que está tudo mal nas outras escolas, o reformado por processos fraudulentos aos 45 anos e a senhora devota que não está disposta a que a educação dos seus 250 filhos, paridos com tanta alegria caia em mãos liberais.
Quando estas comissões se unem em confederações é a desgraça completa. O nível de disparate aumenta e o de influência também.
Se houvesse dúvidas sobre isto, bastaria analisar este comunicado (ou conferência, não sei) de imprensa, divulgado hoje nos jornais:
"Dois em cada três casos de violência e indisciplina registados nas escolas devem-se à falta de funcionários auxiliares nos estabelecimentos de ensino, defendeu hoje a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), que exige, por isso, "medidas urgentes".
"A CNIPE atribui 65 por cento dos casos de violência e indisciplina ocorridos com alunos à falta cada vez maior de pessoal auxiliar nas escolas", refere a confederação, num comunicado hoje divulgado."
Onde é que estas criaturas vão buscar os "65%"? Perguntaram aos filhos adolescentes, lá em casa? Ou leram o último livro de auto-ajuda sobre o assunto, "A Contínua é que nos salva"?
Basta ENTRAR numa escola, para ver que isto é idiota. Toneladas de mulheres sentadas em mesinhas às entradas dos pavilhões, quilos e quilos de homens com ar de nunca terem feito nada na vida a passear, atravessam-se pelos olhos dentro. Não limpam, não vigiam, não ajudam. São mulas de trabalho ao contrário. Parasitas com contrato por tempo indeterminado.
O que o governo deveria fazer era pôr metade destes inúteis na rua. Que fossem trabalhar para pagar a renda de casa, em vez de nos chularem há mais de 30 anos.
Quanto às confederações de pais que nos oferecem estas pérolas de cretinice... Era dar-lhes renda para fazer ou conversarem descansadamente uma tarde ao lado de uma destas pobres Auxiliares (?) de Acção Educativa.
Bem tinha razão o meu amigo A.M. quando gritava "a ignorância e o vento têm o mesmo atrevimento!"
5 de agosto de 2008
"Novo fármaco imita nos ratos os benefícios do exercício físico", in jornal PÚBLICO
Paulo Portas já terá afirmado: "eu, por mim, fiquei em forma".
Já o ministério da Cultura está a estudar a hipótese de adaptar estes comprimidos que simulam coisas a um medicamento para criadores artísticos. Desta forma, os artistas portugueses que não tenham sido despedidos de um teatro público com indemnizações milionárias, poderão simular que estão a ter as condições mínimas para produzir, ou nos casos extremos, que afinal ainda não morreram de fome.

ULTIMA HORA: o Infarmed pode ter vindo afirmar que só aprovará este medicamento se ele simular que o seu único objectivo não é acumular fortunas à custa dos doentes portugueses, como muita gente acha.
Paulo Portas já terá afirmado: "eu, por mim, fiquei em forma".
Já o ministério da Cultura está a estudar a hipótese de adaptar estes comprimidos que simulam coisas a um medicamento para criadores artísticos. Desta forma, os artistas portugueses que não tenham sido despedidos de um teatro público com indemnizações milionárias, poderão simular que estão a ter as condições mínimas para produzir, ou nos casos extremos, que afinal ainda não morreram de fome.

ULTIMA HORA: o Infarmed pode ter vindo afirmar que só aprovará este medicamento se ele simular que o seu único objectivo não é acumular fortunas à custa dos doentes portugueses, como muita gente acha.
1 de agosto de 2008
A OESTE NADA DE NOVO
Fragateiro cai da direcção do Teatro Nacional, para alegria e gáudio daqueles a quem "roubou" o lugar. O ministro demite-o, antes da conclusão do processo. Lá terá as suas razões. Para a administração sobem nomes sussurrados no meio como sendo de "ascensão ágil". Nada de novo. Demite-se quem faz um (alegado) mau trabalho e abre-se a porta ao próximo carreirista. No fim, despede-se, com uma indemnização paga pelos contribuintes. Mais uma.
E é este último ponto que deveria constituir um choque para todos nós.
De acordo com o jornal Público, "o orçamento do teatro para 2008 é de seis milhões de euros, dos quais 5,2 milhões de euros de indemnizações compensatórias e 800 mil euros de receita de bilheteira" CINCO milhões e duzentos mil euros para oferecer a pessoas que foram trabalhar para outros lugares? Por alma de quem?
Num país em que "não há" um tostão para ajudar os artistas, isto roça a pouca-vergonha.
Ps: Esclareço que não devo nada ao Fragateiro. Além de me ter recebido sempre que eu lhe pedi, nunca me convidou para coisa nenhuma, ou me propôs qualquer trabalho. Mas vi o que ele tentou fazer com uma instituição entregue a sanguessugas. E conheço, um pouco, quem o vai suceder. Mais do mesmo. Não há santos nesta terra. E muito menos qualquer D.Sebastião. Apenas vagas sucessivas de nevoeiro.
Fragateiro cai da direcção do Teatro Nacional, para alegria e gáudio daqueles a quem "roubou" o lugar. O ministro demite-o, antes da conclusão do processo. Lá terá as suas razões. Para a administração sobem nomes sussurrados no meio como sendo de "ascensão ágil". Nada de novo. Demite-se quem faz um (alegado) mau trabalho e abre-se a porta ao próximo carreirista. No fim, despede-se, com uma indemnização paga pelos contribuintes. Mais uma.
E é este último ponto que deveria constituir um choque para todos nós.
De acordo com o jornal Público, "o orçamento do teatro para 2008 é de seis milhões de euros, dos quais 5,2 milhões de euros de indemnizações compensatórias e 800 mil euros de receita de bilheteira" CINCO milhões e duzentos mil euros para oferecer a pessoas que foram trabalhar para outros lugares? Por alma de quem?
Num país em que "não há" um tostão para ajudar os artistas, isto roça a pouca-vergonha.
Ps: Esclareço que não devo nada ao Fragateiro. Além de me ter recebido sempre que eu lhe pedi, nunca me convidou para coisa nenhuma, ou me propôs qualquer trabalho. Mas vi o que ele tentou fazer com uma instituição entregue a sanguessugas. E conheço, um pouco, quem o vai suceder. Mais do mesmo. Não há santos nesta terra. E muito menos qualquer D.Sebastião. Apenas vagas sucessivas de nevoeiro.
29 de julho de 2008
SALÁRIOS DE GESTORES PÚBLICOS
Parece-me um exagero as pessoas acharem de mais que um gestor público possa ganhar perto de 37.000 euros, 14 vezes por ano. Além do motorista, ajudas de custo e alcavalas várias.
É verdade que a maioria faz um trabalho ruinoso e prejudicial ao país.
Mas, coitados, para o que eles ganham, muito fazem eles.
O meu coração está com esses quase-sem-abrigo....
Parece-me um exagero as pessoas acharem de mais que um gestor público possa ganhar perto de 37.000 euros, 14 vezes por ano. Além do motorista, ajudas de custo e alcavalas várias.
É verdade que a maioria faz um trabalho ruinoso e prejudicial ao país.
Mas, coitados, para o que eles ganham, muito fazem eles.
O meu coração está com esses quase-sem-abrigo....
O QUE SE ENSINA E O QUE SE QUERIA ENSINAR
Leio com alguma atenção, as 222 páginas dos programas para o Ensino Básico (até ao 9º ano, portanto).
Parece-me bem. Na generalidade, a coisa parece-me bem elaborada a nível de objectivos gerais e até específicos. O que se quer que os meninos saibam no final destes anos, poderia ser melhor, mas é bastante bom.
Então onde é que a coisa falha? Como é que ao fim de 9 anos, mais se incluirmos a pré-primária, os objectos dos programas sabem tão pouco. 90% passam ligeiramente do estado de "embrutecidos" e menos ainda de "ignorantes totais".
O ministério parece que concluiu que a culpa é dos professores.
Os professores que é do ministério e dos seus programas excessivos e frequentemente alheados da realidade....
Mas,se como foi referido atrás, os objectivos eram bons, como se explica esta última hipótese.
Quando olho mais de perto as sugestões (lidas pelos professores como "ordens") de operacionalização, vejo o início do aborrecimento, tédio e desinteresse a começar. A irracionalidade desponta e o disparate dispara. A forma como é proposta aos professores que façam "chegar a matéria" é fraquita, para não dizer mais.
Estes, por seu lado, aceitam a sua aplicação como o "dever do funcionário". Se derem aquilo assim, ninguém os chateia. O que é verdade.
Ninguém, a não ser... os objectos do seu trabalho, os alunos.
Criados numa sociedade entorpecente, ligados pelo rabo ao sofá e deste à televisão e ao computador, esperam que a escola os sirva de bandeja, sem pedir nada em troca. A maioria dos alunos portugueses imagina que a aprendizagem se faz deitado numa "chaise longue" romana, por isso,não podem deixar de achar duros os assentos da escola.
Dos meus contactos com os 3 lados do problema, sai-me a certeza de que ninguém ouve ninguém. E de que ninguém está realmente CONTRA ninguém (mesmo os sindicatos estão apenas a favor da manutenção da mama inútil que é o seu, por assim dizer, trabalho).
Sempre que propus actividades criativas e estimulantes ao Ministério, aos professores ou a alunos, todos reagiram com boa vontade, nalguns casos com entusiasmo. Nenhum se chateou de ajudar, trabalhar mais ou esforçar-se para aprender. Logo, é possível mudar as coisas.
Não acredito que isto se resolva nos tempos mais próximos. Porque daria trabalho, obrigaria a repensar o modelo de escola e o acto de ser aluno.
E, contudo, a minha experiência só me confirma que sim, que seria possível...
Leio com alguma atenção, as 222 páginas dos programas para o Ensino Básico (até ao 9º ano, portanto).
Parece-me bem. Na generalidade, a coisa parece-me bem elaborada a nível de objectivos gerais e até específicos. O que se quer que os meninos saibam no final destes anos, poderia ser melhor, mas é bastante bom.
Então onde é que a coisa falha? Como é que ao fim de 9 anos, mais se incluirmos a pré-primária, os objectos dos programas sabem tão pouco. 90% passam ligeiramente do estado de "embrutecidos" e menos ainda de "ignorantes totais".
O ministério parece que concluiu que a culpa é dos professores.
Os professores que é do ministério e dos seus programas excessivos e frequentemente alheados da realidade....
Mas,se como foi referido atrás, os objectivos eram bons, como se explica esta última hipótese.
Quando olho mais de perto as sugestões (lidas pelos professores como "ordens") de operacionalização, vejo o início do aborrecimento, tédio e desinteresse a começar. A irracionalidade desponta e o disparate dispara. A forma como é proposta aos professores que façam "chegar a matéria" é fraquita, para não dizer mais.
Estes, por seu lado, aceitam a sua aplicação como o "dever do funcionário". Se derem aquilo assim, ninguém os chateia. O que é verdade.
Ninguém, a não ser... os objectos do seu trabalho, os alunos.
Criados numa sociedade entorpecente, ligados pelo rabo ao sofá e deste à televisão e ao computador, esperam que a escola os sirva de bandeja, sem pedir nada em troca. A maioria dos alunos portugueses imagina que a aprendizagem se faz deitado numa "chaise longue" romana, por isso,não podem deixar de achar duros os assentos da escola.
Dos meus contactos com os 3 lados do problema, sai-me a certeza de que ninguém ouve ninguém. E de que ninguém está realmente CONTRA ninguém (mesmo os sindicatos estão apenas a favor da manutenção da mama inútil que é o seu, por assim dizer, trabalho).
Sempre que propus actividades criativas e estimulantes ao Ministério, aos professores ou a alunos, todos reagiram com boa vontade, nalguns casos com entusiasmo. Nenhum se chateou de ajudar, trabalhar mais ou esforçar-se para aprender. Logo, é possível mudar as coisas.
Não acredito que isto se resolva nos tempos mais próximos. Porque daria trabalho, obrigaria a repensar o modelo de escola e o acto de ser aluno.
E, contudo, a minha experiência só me confirma que sim, que seria possível...
28 de julho de 2008
21 de julho de 2008
16 de julho de 2008
O BASTONÁRIO
Quando foi eleito, um amigo meu, ex-advogado, mostrou-se desconfiado com a sua prosápia. Acha que muito do que o actual bastonário da ordem dos advogados afirma é inflamatório mas pouco consistente.
Talvez seja. Mas a urticaria geral que as suas declarações provocam sempre que fala em diminuir os privilégios de alguns, repito, alguns, advogados e dirigentes da ordem, fazem-nos desconfiar do fogo que haverá por detrás do fumo. Números como 5 milhões de euros anuais de cotizações atraem, de certeza, os ambiciosos, os de pouco escrúpulo e aqueles que acham que Deus os colocou na Terra para nos iluminar a todos (os que não entraram para a magistratura, quero dizer, porque esses nem se sabe quem os colocou no trono altíssimo de onde nos regem...).
Eu, por mim,não sei. Mas vejo os edifícios onde a ordem se abriga. Os restaurantes onde comem. A forma como saltam dos postos administrativos para a riqueza.
Peço desculpa, terão muita razão em nos dizer que o homem gosta de incendiar o caminho, mas não acreditem que estamos todos cegos para acreditar nas exclamações indignadas de advogados. Até porque "verdade" e "advogado" (sobretudo, funcionário de uma ordem corporativa que não permite a quem exerce a profissão não lhes pagar mensalmente) nunca na vida serão sinónimos.
Quando foi eleito, um amigo meu, ex-advogado, mostrou-se desconfiado com a sua prosápia. Acha que muito do que o actual bastonário da ordem dos advogados afirma é inflamatório mas pouco consistente.
Talvez seja. Mas a urticaria geral que as suas declarações provocam sempre que fala em diminuir os privilégios de alguns, repito, alguns, advogados e dirigentes da ordem, fazem-nos desconfiar do fogo que haverá por detrás do fumo. Números como 5 milhões de euros anuais de cotizações atraem, de certeza, os ambiciosos, os de pouco escrúpulo e aqueles que acham que Deus os colocou na Terra para nos iluminar a todos (os que não entraram para a magistratura, quero dizer, porque esses nem se sabe quem os colocou no trono altíssimo de onde nos regem...).
Eu, por mim,não sei. Mas vejo os edifícios onde a ordem se abriga. Os restaurantes onde comem. A forma como saltam dos postos administrativos para a riqueza.
Peço desculpa, terão muita razão em nos dizer que o homem gosta de incendiar o caminho, mas não acreditem que estamos todos cegos para acreditar nas exclamações indignadas de advogados. Até porque "verdade" e "advogado" (sobretudo, funcionário de uma ordem corporativa que não permite a quem exerce a profissão não lhes pagar mensalmente) nunca na vida serão sinónimos.
15 de julho de 2008
14 de julho de 2008
REGRESSA-SE, OITO DIAS DEPOIS DE ESTAR NO MAR, O CORPO AINDA QUENTE DO SOL QUE QUE FICOU PARA TRÁS, A SUL, NOS AREAIS, O PÉ (AGRADECIDAMENTE) FERIDO POR TER PISADO UM BICHO MARÍTIMO NUMA NOITE EM QUE SÓ HAVIA A LUA, AS ESTRELAS EM CRESCENDO, E O VAGO CHEIRO DOS ARBUSTOS QUE CHEGAVA DAS ENCOSTAS BAIXAS. UMA SEMANA, QUE NÃO É NADA, E AINDA ASSIM, FICAMOS EM PAZ.
nestas alturas, toda a música faz sentido.
nestas alturas, toda a música faz sentido.
6 de julho de 2008
A BOLA NÃO TEM JUÍZO
Devo estar a ficar velho, ou era muito criança no tempo em que o futebol era apenas um jogo e toda a gente torcia por este ou por aquele, sem pensar no dinheiro que se ganhava ou deixava de se ganhar.
Nas últimas duas décadas, pelo menos, a tomada de consciência de que o futebol interessava a milhões e que se podia fazer toda a espécie de manigâncias para assegurar que o dinheiro continuará a nascer nos bolsos de muitos enquanto não viaja para paraísos fiscais, terá mudado tudo. A guerra se um clube é melhor do que outro perdeu toda a sua carga ingénua. Há muito que se trata apenas de manipulação de adeptos e extorsão de "acções", "incentivos" e "apoios". As fortunas gordas associadas a este desporto não surgiram do nada e, sobretudo, mantêm-se com muito trabalho. Isso envolve a corrupção de quase todas as estruturas do país, das autarquias aos tribunais, às finanças mais ou menos locais e provavelmente, a partes dos diferentes governos que temos tido ao longo dos últimos 20 anos.
Quando se fala do F.C.P. não participar das competições europeias, não se está a falar de futebol, mas de milhões de euros de prejuízo, dinheiro que algumas pessoas não vão receber. O mesmo se aplicará a muitos outros clubes, incluindo o Boavista e, todos os que enriquecem com a, apropriadamente chamada, "Liga Milionária".
O discurso deste senhor do "Conselho de Justiça", usando todos os recursos ao seu alcance para impedir que o resto dos "conselheiros" (acácios, por certo) decidisse contra os interesses que defende é a prova que tudo está inquinado. Se há juízes que se defendem assim, sabendo-se de antemão as suas ligações às partes interessadas, então o que temos a temer está muito para lá das intrigas futebolísticas. Está nas salas de audiência a sério. Nos lugares onde a vida das pessoas é decidida por gente como esta. Pessoas que protegem as mais discutíveis convicções por detrás do jargão jurídico e da propaganda da predominância da forma sobre sobre a substância.
ps: se alguém vir onde param os jogos de bola da minha infância, os que se jogavam e os que se coleccionavam em cromos, com a sua carga de entusiasmo e inocência, faça o favor de me informar...
Devo estar a ficar velho, ou era muito criança no tempo em que o futebol era apenas um jogo e toda a gente torcia por este ou por aquele, sem pensar no dinheiro que se ganhava ou deixava de se ganhar.
Nas últimas duas décadas, pelo menos, a tomada de consciência de que o futebol interessava a milhões e que se podia fazer toda a espécie de manigâncias para assegurar que o dinheiro continuará a nascer nos bolsos de muitos enquanto não viaja para paraísos fiscais, terá mudado tudo. A guerra se um clube é melhor do que outro perdeu toda a sua carga ingénua. Há muito que se trata apenas de manipulação de adeptos e extorsão de "acções", "incentivos" e "apoios". As fortunas gordas associadas a este desporto não surgiram do nada e, sobretudo, mantêm-se com muito trabalho. Isso envolve a corrupção de quase todas as estruturas do país, das autarquias aos tribunais, às finanças mais ou menos locais e provavelmente, a partes dos diferentes governos que temos tido ao longo dos últimos 20 anos.
Quando se fala do F.C.P. não participar das competições europeias, não se está a falar de futebol, mas de milhões de euros de prejuízo, dinheiro que algumas pessoas não vão receber. O mesmo se aplicará a muitos outros clubes, incluindo o Boavista e, todos os que enriquecem com a, apropriadamente chamada, "Liga Milionária".
O discurso deste senhor do "Conselho de Justiça", usando todos os recursos ao seu alcance para impedir que o resto dos "conselheiros" (acácios, por certo) decidisse contra os interesses que defende é a prova que tudo está inquinado. Se há juízes que se defendem assim, sabendo-se de antemão as suas ligações às partes interessadas, então o que temos a temer está muito para lá das intrigas futebolísticas. Está nas salas de audiência a sério. Nos lugares onde a vida das pessoas é decidida por gente como esta. Pessoas que protegem as mais discutíveis convicções por detrás do jargão jurídico e da propaganda da predominância da forma sobre sobre a substância.
ps: se alguém vir onde param os jogos de bola da minha infância, os que se jogavam e os que se coleccionavam em cromos, com a sua carga de entusiasmo e inocência, faça o favor de me informar...
4 de julho de 2008

ELES RESISTEM
Por mais que as televisões se esforcem por transmitir a ideia de que os livros ou desapareceram da face da terra ou são tão banais que até um dos seus apresentadores é capaz de fazer um, a verdade é que a Literatura resiste.
De todo o lado me chegam notícias de grupos informais de leitores. Gente que se organiza, uma vez por mês ou quando calha, para falar de um livro ou poema que todos leram.
Tvi, RTp e Sic vão ter de continuar a insistir, porque pelo andar da carruagem há-de sempre haver quem tenha energia para carregar no off do comando, de vez em quando. E, entre as páginas escritas por outro, romper um pouco a alienação.
3 de julho de 2008
NÃO SEI DE QUE GOVERNO É QUE O SENHOR FOI MINISTRO DAS FINANÇAS
Mas há muito tempo que não ouvia um economista/ex-ministro a falar de forma tão directa.
As crises têm coisas boas. Uma delas é começarmos a falar verdade.
A entrevista de Medina Carreira (por enquanto) pode ser vista aqui.
Mas há muito tempo que não ouvia um economista/ex-ministro a falar de forma tão directa.
As crises têm coisas boas. Uma delas é começarmos a falar verdade.
A entrevista de Medina Carreira (por enquanto) pode ser vista aqui.
1 de julho de 2008

O SEGREDO DO CUSCUZ (LA GRAINE ET LE MULET)
Para quem ande distraído, ainda está em sala o formidável filme de Abdellatif Kechiche. Não se sabe o que é melhor, se o argumento, se o trabalho de actores ou a realização.
Vale cada cêntimo , do bilhete.
Aqui podem ver o trailer.
DEVAGAR, DEVAGARINHO...
Por coincidência, nos últimos dias, tenho falado com várias pessoas conhecidas dos princípios da Programação Neurolinguística. Ouvem-me com atenção, mas ainda não acabei de falar já lhes leio no rosto as marcas da descrença. "Pá, não me convences". E argumentam com as rotinas, os argumentos que a escola lhes vendeu há muito tempo ou as defesas que os embates com as coisas lhes deram. Ainda não apareceram comentadores sérios, na televisão a dizer que sim, senhor. Por isso a Pnl não ainda não pode existir.
Há vários anos atrás, obtinha a mesma reacção quando falava de Inteligência Emocional ou da necessidade de um profissional desenvolver competências inter e intrapessoais, que lhe serviriam tanto no trabalho, como na sua actividade. Nessa altura, nada. Agora, anda tudo a inscrever-se em "formação comportamental".
Pensando bem, quando no início dos anos 90 defendia que toda a gente iria usar e-mail, por me parecer a mais óbvia das coisas, pela rapidez e facilidade de processo, só levava para casa reacções de troça.
E assim, por diante, quando olho a minha vida até lá atrás.
Isto, dantes, chateava-me. Que os outros não vissem o que me entrava pelos adentro. Não por ser mais esperto, mas pela e-v-i-d-ê-n-c-i-a. Agora, olha, que se lixe!
Com o tempo habituamo-nos, não a ir a pé com os outros (também era o que faltava!), mas a ir pensando para frente, enquanto pedalamos muito devagarinho ao lado do rebanho.
Fazer o quê?!
Por coincidência, nos últimos dias, tenho falado com várias pessoas conhecidas dos princípios da Programação Neurolinguística. Ouvem-me com atenção, mas ainda não acabei de falar já lhes leio no rosto as marcas da descrença. "Pá, não me convences". E argumentam com as rotinas, os argumentos que a escola lhes vendeu há muito tempo ou as defesas que os embates com as coisas lhes deram. Ainda não apareceram comentadores sérios, na televisão a dizer que sim, senhor. Por isso a Pnl não ainda não pode existir.
Há vários anos atrás, obtinha a mesma reacção quando falava de Inteligência Emocional ou da necessidade de um profissional desenvolver competências inter e intrapessoais, que lhe serviriam tanto no trabalho, como na sua actividade. Nessa altura, nada. Agora, anda tudo a inscrever-se em "formação comportamental".
Pensando bem, quando no início dos anos 90 defendia que toda a gente iria usar e-mail, por me parecer a mais óbvia das coisas, pela rapidez e facilidade de processo, só levava para casa reacções de troça.
E assim, por diante, quando olho a minha vida até lá atrás.
Isto, dantes, chateava-me. Que os outros não vissem o que me entrava pelos adentro. Não por ser mais esperto, mas pela e-v-i-d-ê-n-c-i-a. Agora, olha, que se lixe!
Com o tempo habituamo-nos, não a ir a pé com os outros (também era o que faltava!), mas a ir pensando para frente, enquanto pedalamos muito devagarinho ao lado do rebanho.
Fazer o quê?!
28 de junho de 2008
TOCARAM-ME À PORTA
eram duas senhoras, jovens, chinesas, carregadas com bíblias e panfletos.
"Estamos a investigar sobre o Deus-Mãe".
Ficaram um bocado chateadas quando lhes disse que o assunto não me interessava e fechei a porta.
Mais adaptada à circunstância se mostrou a minha vizinha de cima. As gargalhadas dela devem ter-se ouvido ao fundo da nossa rua.
Continuo a defender: morar num bairro popular de Lisboa, é surpreendente!
eram duas senhoras, jovens, chinesas, carregadas com bíblias e panfletos.
"Estamos a investigar sobre o Deus-Mãe".
Ficaram um bocado chateadas quando lhes disse que o assunto não me interessava e fechei a porta.
Mais adaptada à circunstância se mostrou a minha vizinha de cima. As gargalhadas dela devem ter-se ouvido ao fundo da nossa rua.
Continuo a defender: morar num bairro popular de Lisboa, é surpreendente!
26 de junho de 2008
OS DIAS
Ia aqui escrever sobre os dias. Sobre a tentativa que quase todos fazemos de ser melhores pessoas, em cada manhã. Depois do tempo em que existíamos, simplesmente. Do seguinte em que atravessámos a fase magoada com a incompreensão do mundo a nosso respeito. E da seguinte, a do cinismo com as coisas. Volta-se, agora, atrás. Como se começássemos de novo mas sabendo que caminhámos sobre a beira de um abismo. E que é uma questão de tempo até que as ossadas que avistamos daqui nos recebam com um suspiro de alívio.
Ia aqui escrever sobre os dias. Sobre a tentativa que quase todos fazemos de ser melhores pessoas, em cada manhã. Depois do tempo em que existíamos, simplesmente. Do seguinte em que atravessámos a fase magoada com a incompreensão do mundo a nosso respeito. E da seguinte, a do cinismo com as coisas. Volta-se, agora, atrás. Como se começássemos de novo mas sabendo que caminhámos sobre a beira de um abismo. E que é uma questão de tempo até que as ossadas que avistamos daqui nos recebam com um suspiro de alívio.
24 de junho de 2008
MARCHA DE ORGULHO GLBT
A gay parade portuguesa está de volta,dia 28 Junho, às 16h00 no Princípe Real. Aberta a todos os que acham ainda haver caminho a fazer pelos direitos dos cidadãos.
Sim, é capaz de ser mais exuberante do que muitos gostariam. E sim, os operadores de imagem das televisões só vão procurar aquilo que os seus preconceitos lhe indicam como "supergay". Porque é o que vende num país em que tudo está à venda. Mas ainda assim, faz sentido. Ainda mais quando a imprensa continua dominada por gente que se sente obrigada a dormir dentro do armário. Ou de homofóbicos que só revelam a sua opinão entre amigos, sendo o resto do tempo, gente "muito simpática", "tolerante" e que "tem muito orgulho em ter um amigo gay" (Ora e se estes fossem todos à merda com mania de que há gente de primeira e gente de segunda! digo eu...).
Bom, fica a indicação. Cada um saberá de si.
A gay parade portuguesa está de volta,dia 28 Junho, às 16h00 no Princípe Real. Aberta a todos os que acham ainda haver caminho a fazer pelos direitos dos cidadãos.
Sim, é capaz de ser mais exuberante do que muitos gostariam. E sim, os operadores de imagem das televisões só vão procurar aquilo que os seus preconceitos lhe indicam como "supergay". Porque é o que vende num país em que tudo está à venda. Mas ainda assim, faz sentido. Ainda mais quando a imprensa continua dominada por gente que se sente obrigada a dormir dentro do armário. Ou de homofóbicos que só revelam a sua opinão entre amigos, sendo o resto do tempo, gente "muito simpática", "tolerante" e que "tem muito orgulho em ter um amigo gay" (Ora e se estes fossem todos à merda com mania de que há gente de primeira e gente de segunda! digo eu...).
Bom, fica a indicação. Cada um saberá de si.
22 de junho de 2008
A REFORMA
Parece que há um ex-deputado do PSD, administrador da PT (o que é uma redundância, como se sabe) que acha pouco só receber 17.900 euros de reforma por mês. Segundo o senhor não se comparava com os 27.000 euros que ganhava antes. Consta também que uma das suas últimas secretárias recebia quase 3.500 euros de salário bruto e o motorista 3.300 eur. Foi secretário de Estado de Cavaco Silva na época de maior despudor e novo-riquismo que este país já conheceu.
Penso de novo nas mulheres idosas a pedir esmola no metro porque a reforma não lhes dá para comer e só me vêm à cabeça formas bárbaras de punição a aplicar a um alarve destes...
E quando penso nos milhares de pessoas que têm os seus créditos e salários penhorados porque não têm 600 ou 800 euros para pagar irs em atraso, visualizo mesmo, um par de pés descalços, com as solas para cima e uma régua fina a descer em direcção à pele velha mas tratada...
Parece que há um ex-deputado do PSD, administrador da PT (o que é uma redundância, como se sabe) que acha pouco só receber 17.900 euros de reforma por mês. Segundo o senhor não se comparava com os 27.000 euros que ganhava antes. Consta também que uma das suas últimas secretárias recebia quase 3.500 euros de salário bruto e o motorista 3.300 eur. Foi secretário de Estado de Cavaco Silva na época de maior despudor e novo-riquismo que este país já conheceu.
Penso de novo nas mulheres idosas a pedir esmola no metro porque a reforma não lhes dá para comer e só me vêm à cabeça formas bárbaras de punição a aplicar a um alarve destes...
E quando penso nos milhares de pessoas que têm os seus créditos e salários penhorados porque não têm 600 ou 800 euros para pagar irs em atraso, visualizo mesmo, um par de pés descalços, com as solas para cima e uma régua fina a descer em direcção à pele velha mas tratada...
18 de junho de 2008
OLHA: ELA ACORDOU!
Enquanto foi, por assim dizer, Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima não fez rigorosamente nada. N.A.D.A. Obra ZERO. A única iniciativa com algum mérito que se lhe viu, foi logo no princípio apear a turma snob que regia o Teatro Nacional. Em termos de conceito, a coisa melhorou um bocadinho, depois disso. De resto, foi uma nódoa, igual a essa coisa de cabelo lambido, chamada S. Lopes.
Agora, depois de reformada é que lhe deu para ser activa. Lembrou-se até de escrever no jornal uma coisa óbvia para quem esteja atento, o facto de a Cinemateca Portuguesa estar nas mãos da família Bénard da Costa. E que o referido senhor não faz, nem sai de cima. Nomeadamente no que toca a permitir a outras cidades (leia-se o Porto, claro - se não se tratasse da cidade de onde é originária, não estou a ver a sra. Pires de Lima a mexer a desgrenhada vontade, como ficou amplamente provado no seu "mandato - melhor seria "mandado", no sentido de uma função atribuída a uma criança pela mãe, o Pai, no caso)mostrarem a história do cinema.
É óbvio que isto é verdade. Que a Cinemateca tem tido um comportamento de preguiça, rotina e falta de visão, gritante. Também me parece claro que a coisa não vai mudar em vida do referido senhor, que como se sabe considera, tal como os antecessores, o cargo vitalício. E é igualmente óbvio que o espólio da Cinemateca Portuguesa deve chegar (mesmo sob a forma de outros suportes) ao resto do país.
Foi pena que a Dona Isabel não se tenha lembrado disso no tempo em que ministeriava. Ou talvez se tenha apenas deixado amedrontar por algum avental mais ameaçador...
Enquanto foi, por assim dizer, Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima não fez rigorosamente nada. N.A.D.A. Obra ZERO. A única iniciativa com algum mérito que se lhe viu, foi logo no princípio apear a turma snob que regia o Teatro Nacional. Em termos de conceito, a coisa melhorou um bocadinho, depois disso. De resto, foi uma nódoa, igual a essa coisa de cabelo lambido, chamada S. Lopes.
Agora, depois de reformada é que lhe deu para ser activa. Lembrou-se até de escrever no jornal uma coisa óbvia para quem esteja atento, o facto de a Cinemateca Portuguesa estar nas mãos da família Bénard da Costa. E que o referido senhor não faz, nem sai de cima. Nomeadamente no que toca a permitir a outras cidades (leia-se o Porto, claro - se não se tratasse da cidade de onde é originária, não estou a ver a sra. Pires de Lima a mexer a desgrenhada vontade, como ficou amplamente provado no seu "mandato - melhor seria "mandado", no sentido de uma função atribuída a uma criança pela mãe, o Pai, no caso)mostrarem a história do cinema.
É óbvio que isto é verdade. Que a Cinemateca tem tido um comportamento de preguiça, rotina e falta de visão, gritante. Também me parece claro que a coisa não vai mudar em vida do referido senhor, que como se sabe considera, tal como os antecessores, o cargo vitalício. E é igualmente óbvio que o espólio da Cinemateca Portuguesa deve chegar (mesmo sob a forma de outros suportes) ao resto do país.
Foi pena que a Dona Isabel não se tenha lembrado disso no tempo em que ministeriava. Ou talvez se tenha apenas deixado amedrontar por algum avental mais ameaçador...
Subscrever:
Mensagens (Atom)


.jpg)


